SL Benfica - Porto: 1-1
Há tanto para dizer e comentar sobre este clássico que já sei que me vou esquecer de muita coisa, por isso espero conseguir focar os temas mais importantes.
Foi um empate com sabor a vitória. Pode parecer redutor da importância de um clube como o Benfica que tem que jogar sempre para ganhar um empate nunca é um bom resultado mas a verdade é que não podemos analisar um resultado final sem ter em conta as ocorrências do jogo. E o Benfica que se vê em inferioridade numérica pela expulsão de um jogador e, posteriormente, vê-se a braços com uma série de jogadores com notórias limitações físicas, conseguir aguentar o empate até ao fim é, claramente, um bom resultado. Muito bom mesmo, diria eu. E acho que este empate vai ser muito importante para o resto da época.
O jogo fica marcado pelos dois erros, graves, de Katsouranis. O grego não pode, porque tem qualidade e serenidade suficiente para isso, cometer aqueles dois erros, em duas faltas parvas e desnecessárias. No lance do penalty a bola seria de Quim e no segundo amarelo não faz sentido ele fazer a falta quando sabe que tem amarelo. Principalmente no momento em questão em que a equipa estava por cima, moralizada pelo golo do empate. De resto, ao contrário do que ouvi de alguns comentadores da rádio, acho que nenhuma equipa foi superior à outra, enquanto se jogou 11 para 11. O Porto teve a sorte do penalty. Jesualdo fala dos lances de perigo da sua equipa mas o Benfica também os teve e bem acutilantes. E uma coisa foi notória, o Porto vive de Lucho, que jogador, este sim merece os elogios, e das arrancadas do Cebola. Só que Maxi e o Estádio da Luz secaram por completo o Cebola e foi Lucho que levou a equipa às costas. Contra 10 e contra uma equipa de rastos fisicamente não foram capazes de forçar ao ponto de nos encostarem às cordas. Tiveram, obviamente, mais bola mas não foi sufocante como podia ter sido.
No Benfica ainda há afinações para se fazerem, ainda há jogadores à procura do melhor jogo mas uma coisa, esta noite, ninguem pode pôr em causa: foram bravos. Todos os jogadores deram tudo de si em campo. O passe pode não ter sido o melhor, o remate pode ter sido torto, mas a atitude foi fantástica. Uma equipa com menos 1, em claras dificuldades físicas conseguiu sempre ser unida, ser lutadora e ripostar às investidas do adversário. A alma de campeão hoje esteve presente nos rapazes da Luz e isso deixa-me satisfeito. Hoje fique com crença num futuro risonho.
Mas há um senão que, admito, me deixou incomodado: a quebra física da equipa no final do encontro. Já o disse várias vezes, tenho enorme fé nesta equipa técnica e no seu preparador físico (um amigo meu esteve em conversa com o Léo e este disse que nunca teve um treinador assim e falou maravilhas da equipa técnica) e foi com espanto e incomodo que vi tantos jogadores com queixas. Espero que seja apenas algo pontual e não um problema sério para se resolver.
Escrevo esta análise sem ter visto imagens do jogo por isso não irei comentar os dois lances de grande penalidade que se fala que terão ficado por assinalar a nosso favor, mas, mesmo sem esses lances, posso dizer que Jorge Sousa é um mau árbitro com rápido apito para assinalar faltas contra o Benfica. O penalty é claro bem como o amarelo é bem mostrado. O jogador do Porto não tinha a bola controlada por isso nunca podia ser vermelho. O segundo amarelo não merece contestação. Mas Jorge Sousa já não foi tão lesto e decidido para apitar contra os azuis. A entrada de Rodriguez sobre Quim, no estádio, pareceu-me claramente para vermelho e acho incompreensível que não se assinale uma entrada a pés juntos sobre Nuno Gomes mesmo nas suas barbas e ficou uma entrada bem dura sobre Aimar por assinalar. São este tipo de faltas que não se marcam apenas porque não se quer. E Jorge Sousa não quis. Claramente.
É impressionante a estupidez que alguns comentadores radiofónicos revelam na análise a lances e situações de jogo. Quique Flores explicou, bem explicado, o porque de tirar Cardozo. Com a expulsão de um central é lógico que seja outro central a entrar e, normalmente, sai um elemento avançado. Cardozo já tinha amarelo e Nuno Gomes tinha acabado de entrar, estava fresco. Quique disse que tinha duas opções, ou procurava a vitória ou resguardava a equipa. O técnico espanhol disse que sentiu que a equipa não aguentaria o ritmo até ao fim e por isso preferiu resguardar a equipa. O comentador afirma que não entende e lança o nome de Nuno Gomes como boa substituição. É preciso ser-se muito burro...
Estou muito irritado com a atitude do Katsouranis, com aqueles dois erros parvos, mas estou muito satisfeito com a equipa. Sinto que estamos no bom caminho e que iremos ter alegrias com este grupo de trabalho. Claro que sem vitórias as coisas não serão fáceis mas acredito que elas vão chegar e em quantidade desejada por todos.
PS1: É vergonhosa a facilidade com que as forças policiais carregam sobre os benfiquistas e este facto deveria merecer atenção séria por parte das altas esferas diligentes do clube. É claro que o homem que entrou em campo o não devia ter feito e é claro que a policia o tinha que ir buscar mas é inaceitável que o faça daquela forma repressora, agredindo tudo o que está ao lado. Não havia necessidade de tanta violência e, muito menos, necessidade de quando regressaram as bancadas os policias exibiram um sorriso de gozo e de clara provocação aos demais benfiquistas que protestavam contra aquela violência gratuita. Foi nojento ver como alguns riam-se na cara dos benfiquista e procuravam que alguem tivesse uma atitude mais "mexida" para puderem então carregar novamente. Numa altura onde a criminalidade no país cresce a olhos vistos e a polícia nada faz, continua a existir violência impune sobre espectadores num Estádio de futebol. Não foram as claques desta vez...
PS2: Não me admira que o Benfica seja castigado pela atitude de um seu adepto. Nem ponho em causa tal castigo mas quero relembrar que até hoje o Sporting nada sofreu pela invasão de vários elementos de um claque sua, armados de paus e ferros, com o objectivo de agredir os jogadores do Benfica. Até hoje não houve qualquer castigo visível.
Adenda: Sabia que me esqueceria de algo e não posso deixar passar: Houve jogadores que fizeram uma exibição extraordinária de entrega e profissionalismo. Começo pelo mal amado Maxi que fez um jogão secando por completo o amigo cebola. Carlos Martins fez um jogo de entrega soberba, estando em défice físico numa se escondeu do jogo e procurou sempre sair a jogar, Luisão foi grande na defesa, Yebda encheu o campo numa luta fantástica contra o meio campo portista e Nuno Gomes mostrou uma garra e atitude fantástica. Não ganhámos o jogo mas se esta atitude foi repetida nos próximos jogos ganhámos algo muito mais importante do que os possiveis três pontos.
Etiquetas: Liga Sagres 2008/09








