Finalmente uma vitória. Tirada a ferros é verdade, mas uma vitória e três pontos preciosos.
Um jogo impróprio para cardíacos que corresponde à máxima que benfiquista sofre. Um começo de jogo muito bom por parte do Benfica, autoritário na pressão sobre o adversário e rápido na saída com a bola, e numa dessas saídas, uma fantástica triangulação entre Carlos Martins, Reyes e Nuno Gomes a concluir, inaugurando o marcador e dando cor à boa entrada da equipa no jogo. Durou mais uns minutos o bom jogo do Benfica até que, novamente, sofremos um golo esquesito. Num lance que parecia resolvido, Reyes despacha mal a bola e esta sobra para um jogador do Paços que chuta de primeira e esta ressalta em Sidnei e entra na baliza de um Quim pregado ao chão. E a partir daqui, durante uns 10 minutos, o Benfica perdeu-se em campo. Muita atrapalhação, pouca fluidez de jogo, muito chutão e permitir que o Paços cresça. E num raro lance de ataque, após boa recuperação de bola de Ruben Amorim, Nuno Gomes cabeceia para boa defesa do guarda redes do Paços e Maxi Pereira a facturar no ressalto. Com este golo o Benfica volta a acalmar e a mandar no jogo e num penalty bem assinalado, Cardozo fuzila as redes e leva a equipa para uma vantagem "confortável" para o intervalo.
A segunda parte começou como acabou a primeira, com o Benfica mandão até que Quim resolve mostrar os seus dotes dando mais uma casa e fazendo o Paços reduzir o marcador. Desta vez a atrapalhação do Benfica não foi tanta como no lance do empate e, já com Aimar em campo a deixar a bola para que o mal amado Jorge Ribeiro marcasse um excelente golo e, pensavam os benfiquistas, resolver o jogo. Infelizmente tal não aconteceu e mais num lance a roçar o patético o Benfica sofre um golo fazendo com que a emoção durasse até ao apito final. Bruno Paixão apitou e o Benfica conquistou os primeiros três pontos da temporada. Os primeiros de muitos espero eu e toda a família benfiquista.
Uma primeira coisa a salientar: a quantidade de faltas desnecessárias que a equipa fez sendo que as últimas quase me levaram ao desespero tal o perigo que levavam à nossa baliza. Depois o carrossel exibicional que esta equipa demonstra em campo, momentos belíssimos como o primeiro golo e momentos patéticos como o terceiro do Paços. No meio desta embrulhada vai-se notando melhoras na construção de jogo. E para essa melhoria penso que a presença de Ruben Amorim, que fez uma magnífica exibição, teve papel fundamental. Antes do jogo pedia a titularidade de Balboa mas Quique acertou em cheio porque Ruben permitiu uma solidez a meio campo que foi muito importante para que o Benfica pudesse pegar no jogo e, ao mesmo tempo, o jovem português nunca se escondeu das tarefas atacantes. O melhor em campo para mim. Quem esteve muito bem foi o capitão Nuno Gomes, não só pelo golo mas por tudo o que jogou e lutou. Yebda mais uma vez em bom plano, lutador e capaz de transportar a bola. Reyes no melhor e pior do jogo e Jorge Ribeiro a honrar a camisola e só assim conquistará o coração dos benfiquistas. Palavra de apreço para Miguel Vitór e Sidnei que estiveram excelentes, disse que iam ser intrasponíveis e penso que o foram. E digo com toda a convicção que Sidnei e David Luiz irão fazer uma dupla extraordinária e que Miguel Vitór será um suplente à altura. Carlos Martins esteve bem melhor do que em Itália e Cardozo muito lutador. Maxi não comprometeu e marcou um golo. E o que dizer de Quim que ainda não tenha dito?
Quique Flores esteve bem no 11 inicial e nos jogadores que entraram. Eu tinha tirado Carlos Martins para entrar Aimar, colocando o argentino a pegar na bola logo na fase inicial de construção onde toda a sua magia pudesse ser posta em práctica com três jogadores, Cardozo, Reyes e Nuno Gomes à sua frente para receber a bola. Depois entrou Balboa e saíu Ruben, a intenção era dar velocidade ao flanco aproveitando a subida da equipa do Paços. Por fim Di Maria por Reyes apenas para refrescar. Nota positiva para o nosso treinador na gestão do banco. Depois de Nápoles mais um jogo em que o Benfica luta até ao fim sem quebrar fazendo crer que o que aconteceu no jogo com o Porto foi o acaso. Esperemos que sim.
Bruno Paixão, dentro do que lhe conhecemos, não esteve mal. Muito bem a analisar o lance o penalty, braço bem no ar a desviar a bola. Menos bem num lance, completamente desnecessário, de Nuno Gomes em que o vermelho devia ter sido o cartão correcto. O segundo golo do Paços nasce de uma falta completamente absurda assinalada contra o Benfica. Sidnei é carregado pelas costas, na mais típica falta assinalada sobre um defesa que protege a saída da bola e Bruno Paixão nada assinala marcando sim falta quando Sidnei agarra a bola. Não me lembro, nestes anos todos de futebol, de um lance daqueles não ser falta atacante. Não me lembro.
Não estamos bem, mas também não estamos assim tão mal. Estamos a sofrer golos estranhos, demasiados ressaltos, frangos, cortes defeituosos. Ainda não sofremos um golo "decente". Aos poucos Quique vai conhecendo a equipa e o campeonato, os jogadores vão-se adaptando e rotinando. Continuo a achar que estamos no bom caminho e esta vitória irá permitir uma semana mais tranquila para que os próximos três jogos resultem em três vitórias e num definitivo arranque para fazermos "coisas bonitas" esta época.
Etiquetas: Liga Sagres 2008/09