Um Olho à Benfica #1
A incomparável marca Benfica
O único candidato conhecido à presidência do Benfica tem insistido num discurso predominantemente comparativo ao FC Porto, como se daí resultasse o seu manifesto eleitoral e pior ainda, o seu afirmado desejo de convencer os benfiquistas de que o Benfica deve ter um termo de comparação em Portugal. Discordo. Acho que Bruno Carvalho não identificou os perigos, na sua estratégia, que este discurso tem para qualquer benfiquista. Se a ideia é fazer-se notar, então, parabéns, grande ideia e melhor aplicação. Se a ideia é ganhar os votos dos benfiquistas, então acho que se meteu por um caminho sem regresso. Eu, como benfiquista, sou muito sensível às comparações, porque acredito, convictamente, que o Benfica não se compara a nada. Especialmente em Portugal.
Eu coloco sempre as coisas em perspectiva. Não existe, no desporto nacional, nenhum termo de comparação com o Benfica. Se o quisermos encontrar temos de sair do país e procurar elos comparativos que estejam consolidados histórica e sociologicamente. E aí sim, é possível tropeçar no Real Madrid, Bayern de Munique, Liverpool, Manchester United e Juventus. De resto, a comparação com outras marcas desportivas em Portugal correm sempre o mesmo risco. O de se comparar o que é incomparável. Vejam bem, tenho para mim que a Soraia Chaves é uma mulher sensualíssima, mas devo reconhecer que a Angelina Jolie é talvez a mais bonita do Mundo. O Benfica é a Angelina Jolie, outros clubes em Portugal serão, na melhor das hipóteses, a Soraia Chaves.
O exercício sistemático de comparação realizado por Bruno Carvalho é também arriscado, porque falha na identificação de uma diferença substancial de cultura de clube que existe entre o Benfica e o FC Porto. Os benfiquistas não querem substituir um sistema pelo outro, os benfiquistas não pretendem ver implementado no seu clube um sistema gémeo de organização do FC Porto. O que qualquer candidato à presidência do Benfica deve dizer aos benfiquistas é que propõe arranjar respostas a duas perguntas fulcrais: Como é que nasceu e se consolidou o sistema que proporciona ao FC Porto tantas vitórias e como é que se faz para eliminar esse sistema?
Portanto, o que qualquer benfiquista exige de um candidato, não é que ele sobressaia pelo seu constante fascínio pelo sistema de organização do FC Porto, mas que ele compreenda como é que funciona esse sistema e a partir daí possa proceder à sua desconstrução. O Benfica e o FC Porto são clubes diferentes, têm dimensões diferentes e sobretudo culturas diferentes. E justamente por isso são incomparáveis.
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