O Benfica será campeãoComo é que eu vi o jogo de Braga?
Este jogo demonstra mais uma vez a necessidade de parar com a choradeira e de agir. Eu próprio, confesso, enquanto via o jogo, também me deu vontade de chorar. Ao intervalo, enviei um sms ao Pedro, onde demonstrava toda a minha fúria. Foi difícil de controlar, porque tenho dois filhos em casa, para quem sou um exemplo, ou pretendo ser, e devo ensiná-los na tolerância e no respeito pelos outros. Em síntese, não quero ser um Jorge Sousa para eles. Por isso não vou chorar, não vou dizer que o árbitro foi tendencioso e ajudou à festa bracarense. As imagens foram vistas por toda a gente, por comentadores mas também por espectadores.
Como comentador de futebol na Sporttv, tento sempre não esquecer-me que aquilo que eu vejo é exactamente aquilo que os outros vêm em casa, não temos nenhum filtro que nos permita aceder a imagens que outros não têm. É por isso que lá em casa, vi um golo mal anulado, apesar do excesso de visão de Domingos alegar o contrário, vi uma grande-penalidade cometida sobre Saviola. vi uma expulsão perdoada a João Pereira, vi bolas na mão, uma delas sem repetição, vi uma confusão à entrada do túnel, provocada e orientada para terminar com o desfecho que se viu, percebi uma expulsão a Cardozo, exactamente o jogador que mais interessava expulsar, pelo significado de golo que tem em cada uma das suas botas e, finalmente, vi o presidente do Benfica em muito má companhia. Vi isto tudo no meu televisor e mesmo assim, não vou chorar.
Porque também vi outras coisas. Vi um grande, enorme flash-interview do nosso capitão. Fazendo lembrar, para quem não recorda, um outro do mesmo jogador, quando o Benfica tinha acabado de perder em casa com o Beira-Mar. Nesse ano, o Benfica foi campeão e essa entrevista rápida de Luisão foi lendária. Este ano vai acontecer o mesmo. O Benfica vai ser campeão, o jogo de ontem demonstrou bem a diferença entre estofo de campeão e jogo especulativo. O Benfica demonstrou, uma vez mais, que é indesmentivelmente a melhor equipa portuguesa, a que tem melhores jogadores e aquela que será, com maior ou menor dificuldade, com mais ou menos Jorges Sousas pelo caminho, o campeão desta Liga.
Este jogo demonstrou igualmente que o sistema já não mete nojo, agora só dá pena, porque se assiste ao seu estertor e as patéticas tentativas de condicionar resultados apenas serão mais um adversário para este Benfica passar por cima. Por isso insisto que não devemos perder muito tempo a falar dos árbitros e das arbitragens. Temos de nos concentrar em ganhar os jogos. Mesmo ontem, com um pouco de sorte o Benfica teria ganho o jogo e ninguém se lembraria dos episódios onde o Benfica foi deliberadamente prejudicado.
Esta era a minha convicção antes do jogo e reforcei-a depois dele. Já sei que o Cardozo não jogará os próximos jogos da Liga, já sei que devíamos ter ficado a cinco pontos do nosso único adversário na luta pelo título e também sei do enorme suspiro de alivio na Torres das Antas com o resultado de Braga. E não preciso de ser adivinho para imaginar o que terá sido o telefonema de Pinto da Costa ao presidente do SC Braga, no final do jogo. Imagino tudo isso, mas não consigo deixar de imaginar o Benfica campeão. Por muitos túneis, Sousas e outras artimanhas que se atravessem no caminho da nossa equipa, o Benfica será campeão. E já agora até aproveito para sugerir à Comissão Disciplinar da Liga de Clubes que evite que o Aimar e o Cardozo possam jogar contra o FC Porto, no estádio da Luz. Tudo estará a ser preparado para que se cumpra esse objectivo. E o Benfica ganhará à mesma.
Gostei do Benfica, gostei da personalidade de equipa campeã, gostei do domínio de jogo, gostei da sensação permanente de que o Benfica marcaria mais tarde ou mais cedo – e marcou, é preciso reforçar isso, o Benfica não ficou em branco, o Benfica marcou – e gostei de confirmar que o Benfica é, claramente, a melhor equipa portuguesa.
Gostava, igualmente, de lançar um repto a Jorge Sousa: Meu caro, experimente fazer uma arbitragem igual à de ontem à noite, num próximo jogo das competições europeias que tenha a oportunidade de apitar. E, sobretudo, experimente anular um golo daqueles a uma das equipas, com clamorosa influência no resultado e no jogo e repita, por favor, o critério largo na apreciação das bolas na mão dos jogadores de uma mesma equipa. Além de outras interpretações curiosas e excepcionalmente benévolas das leis do jogo para uma das equipas em competição. Como sabe, o meu caro, a UEFA não brinca, mas eu gostava de o ver a brincar com a UEFA como ostensivamente tentou brincar com a equipa do Benfica.
Há duas semanas atrás o presidente Vieira exortou os benfiquistas à unidade. Pois bem, alisto-me, desde já, nesse poderoso e necessário exército de unidade benfiquista. O jogo de ontem foi o clique. Algumas pessoas conhecem a minha antipatia pelo presidente Vieira. É uma antipatia pessoal, não institucional. Ele sabe a que se deve essa antipatia e eu também. Porém, este Benfica de Jesus é, talvez, uma das últimas oportunidades do clube recuperar a hegemonia do futebol português e, de caminho, acabar com o vergonhoso chico-espertismo vigente no desporto nacional, tão representativo da sociedade em que vivemos, onde muitas fortunas não são resultado do mérito mas sim da falcatrua. E para esse combate, o Benfica precisa sobretudo dos benfiquistas. De todos os benfiquistas. A partir de hoje, a minha intervenção no blogue e noutros fóruns de benfiquistas em que venha a participar no futuro, será sempre no sentido de defender o Benfica das agressões externas. Não vou perder o sentido crítico, mas o Benfica precisa, mais do que nunca, do benfiquismo de cada um de nós. E de uma unidade sem equívocos.
Por isso, não tenho dúvidas: o Benfica será campeão e os benfiquistas terão a festa que merecem. E aí, como sabem, a festa não se fará em túneis ou telefonemas privados. Vai fazer-se em todo o país, em todo o Mundo.
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