Um Olho à Benfica #46
A final de Dublin
Existe por aqui um certo anónimo que mistura factos com hipocrisia para chegar a uma verdade inconveniente. A de que o FC Porto é a melhor equipa portuguesa. É um facto que actualmente não se presta a sofismas mas também não escapa a uma memória concreta das coisas. O Benfica hipotecou as suas aspirações no campeonato, graças a duas arbitragens vergonhosas em jogos cruciais.
Em Guimarães, o suficiente para entregar o título à quarta jornada ao FC Porto e, mais recentemente, em Braga, demolindo com as hipóteses ainda residuais que o Benfica mantinha de ser campeão. Esta derrota não acabou apenas matematicamente com as possibilidades do Benfica ser campeão, cavou um fosso anímico profundo entre um Benfica com 18 vitórias consecutivas e que ameaçava o domínio portista no campeonato, principalmente porque se aproximava o jogo da Luz com o FC Porto e a réplica cansada e desmotivada que se lhe seguiu. O anónimo dirá o que quiser e o que seu fanatismo clubístimo o permitir, mas existe um Benfica antes do jogo com o Braga e outro Benfica depois do jogo com o Braga. Antes de jogar na Bracara Augusta, o Benfica era, de facto, a melhor equipa portuguesa, a que vencia os seus adversários, os do seu campeonato com aparente facilidade e os outros com aparente indiferença. E por muito que o anónimo queira revisitar os factos, a verdade é que esse Benfica ameaçava ser imparável até ao final da época. Por isso, a recomendação superior de que era necessário travá-lo, fosse de que forma fosse. E, naturalmente, se isso não tem acontecido, estariamos nesta altura a discutir uma realidade diferente.
E, parecendo contraditório, é por isso que tenho uma enorme convicção de que vou estar em Dublin. Porque a UEFA não vai nomear para a segunda mão o Carlos Xistra ou Olegário Benquerença e, como se viu, no estádio da Luz, com um árbitro indiferente aos costumes nacionais, as hipóteses do Benfica ser bem sucedido aumentam exponencialmente. E isto é válido para o jogo da meia-final, onde estou convencido que o Benfica alcançará, não apenas o apuramento como um resultado ainda mais volumoso do que o se verificou no estádio da Luz, como também é válido para o jogo da final.
E aqui, dificilmente compreendo certos benfiquistas. Como se comprovou na recente final da Taça do Rei, num jogo deste tipo não há favoritos. Muito menos, numa final onde o FC Porto não é o Barcelona - por muito que um certo jornal desportivo se esforce por fazer essa comparação - nem o Benfica vai preparar a sua final de Dublin de uma forma tão reactiva como o Real Madrid o fez. Temos de reconhecer que o adversário é forte, está a jogar bem, mas não é inacessível e tão pouco a diferença entre as equipas justifica um infundado receio. É um jogo, podemos ganhar, podemos perder. E não esqueçam, em Dublin, não há túneis, não há galinhas, não há clima de terror, não há bolas de golfe e não há Xistra. Há um estádio, há uma bola, um árbitro isento e duas boas equipas de futebol. Afinal como devia ser sempre. E no final ganhará o melhor.
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