Ser do Benfica não se explica, sente-se. É mais que uma paixão, maior que um amor, é um estado de espírito.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Um Olho À Benfica #57
terça-feira, julho 17, 2012
Um Olho À Benfica #56
Três jogos, duas vitórias e um empate depois, já podemos olhar para o quarto Benfica de Jesus e dizer: "Habemus equipa". Francamente, gostei. Estabilidade na composição no plantel, nas decisões técnicas e sobretudo na imagem de competência desportiva que a equipa projectou, em poucos dias.
O jogo com o Lille foi duro, os anteriores serviram o objectivo de dar consistência às opções iniciais de Jesus. Um guarda-redes de elite, dois centrais que juntam a segurança de Luisão à classe de Garay, um lateral direito que não se esgota fisicamente e uma experiência prometedora no lado esquerdo, com Melgarejo. Tem condições, tem qualidade, falta-lhe conhecimento da posição e rotinas defensivas. Não foi verdadeiramente testado, mas ofensivamente esta posição defende as suas características, porque lhe permite estar permanentemente de frente para o jogo.
No meio-campo, Witsel magnífico na posição seis, menos influente numa posição mais adiantada. E sobretudo a confirmação do erro colossal que foi a dispensa de Carlos Martins, na época passada. De resto, Matic, antes de se lesionar, estava a confirmar a sua utilidade, revelando uma qualidade que o recomenda para várias posições no meio-jogo. E, claro, Javi Garcia, o gladiador que todas as equipas precisam, para repor equilíbrios, embora pareça cada vez mais confortável com a bola nos pés e na tomada de decisões, no primeiro momento de construção.
O ataque é uma verdadeira Arca de Noé, perante a enxurrada de soluções técnicas e tácticas. O único jogador que cumpre uma missão específica no plantel é Cardozo. Todos sabem que está na equipa para marcar golos e não para agradar aos adeptos da nota artística. De resto, as soluções estão todas ao alcance da imaginação do treinador. Bons extremos, Ola John e Enzo Pérez podem trazer velocidade e mais diversão, numa zona onde a equipa promete entretenimento e eficácia. Aimar e Bruno César, com estilos diferentes, dão textura e diligência ao ataque, Gaitán e Nolito são a dose de improviso que atrapalha os adversários e depois ainda sobram Rodrigo, Nélson Oliveira e o genial Saviola.
Este é um plantel de luxo, que precisará, apenas, de mais uma opção para a lateral direita e eventualmente para o lado oposto, se Melgarejo não concluir o seu upgrade defensivo com a distinção que se exige a um jogador do Benfica.
Porém, este Benfica é, talvez, o mais completo, harmonioso e sedutor, de todos os que Jesus já preparou desde que lhe ofereceram a Terra Prometida.
domingo, julho 08, 2012
Um Olho À Benfica #55
quarta-feira, julho 04, 2012
Um Olho À Benfica #54
segunda-feira, janeiro 09, 2012
Um Olho à Benfica #53
Eu sei que o Cardozo é um dos jogadores menos consensuais da história do Benfica. Mas, juntando aos seus golos, esta desavença histórica que o avançado paraguaio provoca entre os adeptos do nosso clube, é tão divertida como insane. Divertida, porque promete durar até que o desengonçado avançado do Benfica chegue, pelo menos, aos trezentos golos com o Manto Sagrado e insane, porque há coisas que não devia ser permitido a um benfiquista criticar. Proponho para uma próxima alteração estatutária do clube que se redija e aprove um artigo que iniba, proíba mesmo, a crítica pública ou em surdina ao maior abono de família de que há memória nos últimos vinte anos no ataque do nosso clube.
Se o Cardozo não é consensual entre os benfiquistas, como o poderia ser entre os adeptos do futebol e até entre os media desportivos nacionais. Eu sei que o Cardozo não será nunca como o holandês voador do Sporting que já foi colocado no radar do Manchester United quase tantas vezes como o Beto chegou a ser apontado como reforço do Real Madrid. Também não desconheço que o Cardozo não é como o Hulk, que todas as semanas é vendido por cem milhões de farrapos, sendo que o habitual leilão é entre os sheiks das Arábias e o russo do petróleo, mas mesmo assim, eu prefiro o Cardozo.
Não é uma gazela, não é um jogador-passerelle, mas a forma custosa como corre é também a melhor homenagem que Cardozo faz a si próprio, à sua perseverança e à maneira como ridiculariza os seus críticos. Um dos melhores avançados da história do Benfica, cuja embirração de muitos adeptos já nem é para levar a mal, é mesmo para tornar ainda mais festivo cada golo que marca.
Um dos seus críticos é meu vizinho e sempre que passa por mim, zurze mais um pouco no melhor avançado da Liga. Esta manhã, quando me cruzei com ele, disse-lhe o que era costume ouvir na minha terra, quando um jogador suplanta as expectativas..."O Cardozo é bom como o caraças".
terça-feira, outubro 04, 2011
Um Olho à Benfica #52

O Pequeno Genial
Desculpem maçar-vos com um texto mais longo do que habitual, mas passa-se o seguinte. A prosa que a seguir lerão - os mais corajosos - é a introdução do livro que acabei de escrever e que me preparo para editar. Trata-se da biografia do Chalana. Há discussões que não alimento no futebol. Uma delas é sobre quem terá sido o melhor jogador português depois do Eusébio. Para mim, foi o Chalana. Ponto final, parágrafo. O que vos proponho agora é a publicação, em rigorosa e exclusiva estreia da introdução do livro. É uma história ficcional com que resolvi iniciar a minha homenagem ao mais fantástico jogador português que vi jogar - o Eusébio já não pode considerar-se do meu tempo.
Peço desculpa pelo texto longo, mas creio bem que vale a pena, porque é de um benfiquista para muitos benfiquistas e muitos deles nunca tiveram a felicidade de ver jogar este extraordinário jogador. Sinceramente, espero que não levem a mal e que gostem da homenagem prestada a um verdadeiro símbolo da grandeza ímpar do Benfica.
Introdução
Certo dia, numa feira internacional de botas de futebol, estava na montra principal uma chuteira, considerada o último grito da moda futebolística. Uma bota sofisticada, com todo o luxo a que qualquer actual aspirante a craque da bola julga ter direito. Climatizada, de forma a prevenir odores irrespiráveis, dirigível por controle remoto e até com air-bag traseiro, para prevenir as famosas e perseguidas «entradas por trás». Tinha também, no seu exterior, uns sensores laterais que estabeleciam comunicação com a sua congénere mais próxima. Depois de muitos estudos, os autores desta bota inteligente, ruminaram na instalação de um mecanismo de precisão sensorial, que permitisse aos jogadores uma certeira e rápida circulação da bola. Só faltava mesmo mini-bar e pay-tv. A primeira equipa a utilizar estas sensacionais botas foi o Chelsea de
De súbito, aqueles olhos escondidos atrás de uma densa amálgama de dioptrias, foram abalroados pela confusão reinante na montra ao lado, onde o cotovelo do mais forte prevalecia sobre o tórax do mais fraco. Seguia-se um concurso, promovido pela famosa marca que apostou milhares de euros na certificação da nova e estupenda bota. Tudo não passava de uma acção infalível de marketing, a que se submetiam dez concorrentes escolhidos ao acaso entre o estimável e babado público. Tudo isto, em directo, com as televisões como testemunhas evangélicas do novo milagre da precisão. Os concorrentes eram simples figurantes da escandalosa delinquência publicitária que seria o anúncio da perfeição no futebol. Estavam todos bem calçados, os concorrentes e os multimilionários autores da bota. O objectivo era acertar com uma bola, a uma distância de cem metros, num buraco de perímetro pouco maior do que o objecto atirado. Missão impossível com uma bota normal, nem mesmo à medida dos maiores super-heroís do futebol mundial. Agora, com esta bota, era quase possível colocar duas pessoas nas extremidades opostas de uma montanha a trocar certeiros e infalíveis pontapés na bola. Incrível. Isto, claro, se nos fiarmos no exagerado texto de apoio inscrito num mailing enviado para as maiores sedes de futebol em todo o mundo.
O concurso começou e ao primeiro pontapé, bola fora do alvo. Inquietação generalizada mas convencimento de que tinha sido apenas um pequeno desvio humano na perfeição tecnológica. Como era possível? Os remates seguintes, mais de cem – já que o número de concorrentes alastrou – confirmariam que o futebol não é para todos nem admite a intrusão dos novos pregadores da ciência robótica. Nem um remate certeiro. Em desespero de causa, já com as televisões desmobilizadas, os cabos recolhidos e os anunciantes em fuga, deu-se uma imagem de epilepsia colectiva. Chegavam, entretanto, reforços: a marca desportiva não se dava por vencida e para provar a eficiência do seu invento, contratou a peso de ouro, Ronaldinho, Zidane e Figo para novo teste. Primeiro, o brasileiro dentudo, gingão e melhor do mundo e arredores. Falhou. Pela primeira vez, Ronaldinho perdeu aquele sorriso cinematográfico. Depois, Zidane, com os dedos dos pés apoiados nas extremidades como uma bailarina, voando para a bola, mas aterrando na crua realidade. Novo e estrondoso falhanço. Agora, Figo, avança determinado, verdadeiro Átila dos campos de futebol, faz a paradinha, engana o público e no momento em que todos esperam o estrepitoso embate com a bola, Figo olha para o lado e suspira. Aqui sim, deu-se um momento de viragem. O craque português faz uma diagonal até à montra ao lado e olha para a bota velha e caduca. Parecia já um tamanco, mas Figo colou o seu olhar no menino míope e viu-se a si próprio, nos anos da sua adolescência. Esse recuo no tempo fá-lo reconhecer aquela bota, já que durante muito tempo não se cansara de a ver. É Figo que se lembra que o último homem a descalçar aquela bota tinha sido um fenomenal jogador chamado…Chalana. O seu ídolo
PS: Esta é uma história apócrifa mas que não muda o essencial: Chalana foi o maior jogador português de sempre, depois de Eusébio. Por isso, este livro é a homenagem ao meu ídolo de infância. Resolvi escrevê-lo, um dia, quando o meu filho mais velho me perguntou, depois de ter visto o pai, a entrevistar na televisão, o grande Chalana: «Ó pai, quem era aquele senhor que estavas a entrevistar?». Olhei para ele, com aquela ternura com que o habituei e respondi-lhe: “Filho, ouve bem. Quem é o jogador que mais gostas de ver?» Eu já sabia resposta, mas mesmo assim, soube bem ouvi-la de novo: “O Ronaldinho”, disparou o meu filho, com aquele enfado juvenil de quem é massacrado sempre com a mesma pergunta. “Pois bem, filho, quando eu era da tua idade, o Chalana esteve para mim como o Ronaldinho está para ti”. É para isso que serve este livro.
quinta-feira, setembro 08, 2011
Um Olho à Benfica #51
Estava à espera que alguém o fizesse. Durante semanas tenho espreitado este blogue à procura de uma linha sobre o assunto. Nem mesmo o maior especialista em citações minhas foi capaz de juntar duas frases sobre o tema. Logo ele, que gosta tanto de apanhar as minhas alegadas contradições, que adora fazer gala da sua erudição, mas já nem com ele posso contar. Só me apetece dizer: «Até tu Vieira?» - o Zé, claro.
E qual é o tema, perguntarão os leitores deste blogue.
O tema é o seguinte e sobre o qual eu gostaria de uma palavrinha vossa: ARTUR MORAES.
Lembram-se de tudo o que foi escrito aqui e nos arredores deste blogue sobre mim e sobre o jogador, quando praticamente se anunciou a sua contratação no Mágico?
Pois, se calhar já não se lembram. E depois, porque, se calhar, o Vieira - o Zé - estava de férias, não havia o porteiro do blogue para uma chamadinha de atenção.
Pronto, já desabafei o meu desgosto com todos vós. Quanto ao resto, já sabem, Viva o Benfica.
E até os comemos, como se diz na minha terra.
terça-feira, julho 26, 2011
Um Olho à Benfica #50
Artur Moraes
Eduardo
Mika
Maxi Pereira Luisão Garay Capdevilla
Ruben Amorim Miguel Vítor Jardel Emerson
Javi Garcia
Matic
Enzo Perez Gaitán
Urreta Nolito
Aimar
Carlos Martins
Bruno César
David Simão
Saviola Cardozo
Jara Rodrigo
Nélson Oliveira
A partir de amanhã, nenhum destes nomes deve ser riscado do nosso mapa sentimental. São os nossos jogadores, formam o plantel do Benfica e, francamente, não envergonham ninguém. Podia ser mais forte, o plantel? Podia. Mas é um conjunto muito credível, em algumas posições mais credível do que noutras, mas o suficiente para nos dar alegrias. Os jogadores merecem que cada um de nós vá à bola com eles. Eu vou e já amanhã. O resto, como dizem os brasileiros, é conversa para boi dormir.
domingo, maio 22, 2011
Um Olho à Benfica #49

Um grande guarda-redes!
Sendo assim, devo aproveitar a oportunidade para dar mais algumas informações aos adeptos do Benfica que pretendam saber mais sobre um jogador que preferiu o nosso clube.
Quando Artur Moraes começou a jogar a titular no Braga, substituindo Filipe, eu entrevistei o Doni, que foi companheiro do novo reforço do Benfica. Primeiro no Cruzeiro, onde foi suplente de Artur Moraes e depois na Roma, onde foi titular.
Acho que é oportuno recordar as declarações que pude escutar do Doni, um guarda-redes de classe internacional e que conhece bem as qualidades de Artur Moraes.
Ninguém conhece melhor Artur Moraes que outro guarda-redes, por sinal, seu antigo companheiro no Cruzeiro e mais recentemente na Roma. O internacional brasileiro Doni aceitou fazer um retrato mais fiel de Artur Moraes, o guarda-redes que Fernando Couto convenceu a vir para Braga. «Trata-se de um grande guarda-redes e um companheiro incrível. Já fui suplente do Artur, quando fomos campeões no Cruzeiro, em 2003, onde ele foi um dos jogadores mais importantes da equipa. Fez uma época notável, distinguiu-se, na altura, como um dos melhores do Brasil e eu não tive grandes oportunidades, porque ele esteve insuperável. Tem grandes qualidades, é muito sereno, muito profissional e distingue-se pela forma como defende a sua baliza. Como é alto, consegue intimidar os avançados e, como nós dizemos, ocupa muita baliza, não sobra muito espaço por onde os avançados consigam meter a bola. É um grande guarda-redes e me surpreendeu que tenha saído de Itália, porque a Roma queria renovar contrato com ele e eu sabia que outros clubes estavam interessados no Artur», declarou Doni. Enquanto no Cruzeiro, Artur Moraes foi o titular, na Roma a situação alterou-se, com Doni a assegurar a titularidade. «A minha titularidade na Roma e depois na selecção do Brasil deve-se, muito, ao Artur Moraes. Quando você é titular de um clube e tem um suplente como o Artur, você não pode relaxar. Porque o Artur, na verdade, não é um suplente, é um titular, é um jogador que está sempre disponível para jogar e nunca se deixa abater pelo facto de não estar jogando. Ele sabe que tem muita qualidade e por isso mantèm-se sempre muito focado, sabendo que a sua hora chega sempre, mais tarde ou mais cedo. Foi assim que conseguiu fazer grandes jogos na Roma, mesmo sabendo que eu era o titular. Mas nunca me senti verdadeiramente o titular da baliza, porque sentia sempre a sombra do Artur a pairar», adiantou Doni.
«O Artur Moraes é um craque na baliza. Eu sei do que estou falando, fui suplente e titular nas equipas em que estivemos juntos e sei reconhecer a qualidade de um guarda-redes. É um jogador habituado a grandes ambientes, mesmo na Europa, jogou na Liga Europa e na Champions, foi campeão no Brasil. Então, vai ter medo do quê? Estou torcendo pelo seu sucesso», confirmou Doni.
Entretanto, nem de propósito. Hoje mesmo, o jornal O JOGO, publica declarações de outro antigo companheiro de Artur Moraes, no Cruzeiro. Trata-de Cris, defesa central do Lyon. Vale a pena lê-las:
Artur está confirmado como reforço do Benfica para os próximos quatro anos e se as exibições realizadas com a camisola do Braga deixaram tudo e todos impressionados, Cris, central do Lyon e antigo colega do guarda-redes no Cruzeiro - onde ambos partilharam o balneário com... Luisão -, acredita que o clube da Luz "acertou na contratação". "O Artur voa como ninguém. Lembro-me de que já na altura em que jogávamos juntos no Cruzeiro, uma das grandes qualidades dele era a forma como saía da baliza para ganhar a bola aos avançados", afirma a O JOGO, reforçando: "Não tinha medo. Era fortíssimo nas bolas aéreas e passava muita confiança aos defesas."
Agora, vou cumprir a minha promessa. Não voltarei a escrever, neste blogue, sobre Artur Moraes.
domingo, maio 15, 2011
Um Olho à Benfica #48
«É uma grande contratação»
A contratação de André Almeida, pelo Benfica, pode ter surpreendido pela rapidez e pelo inesperado, mas não apanhou desprevenido o treinador João Carlos Pereira, actualmente a treinar o Ermis Aradippou, no Chipre. Na época passada, o treinador português foi o responsável pelo rápido aparecimento de André Almeida na equipa principal do Belenenses, onde começou a dar nas vistas e a jogar regularmente. O antigo treinador do Belenenses apostou em alguns dos jovens da formação do clube e a sementeira de João Carlos Pereira começa, agora, a dar os seus frutos. Sobre a transferência do jogador para o Benfica, o treinador aplaude. A decisão do Benfica e a escolha do jogador: «É uma grande contratação que o Benfica faz. Trata-se de um jovem, ainda, com muito para aprender, mas com o potencial para se transformar num jogador de top. Para o Benfica não é uma aposta muito arriscada, porque, de facto, é um jogador muito talentoso, competitivo e de muita qualidade táctica. Para o jogador, a escolha é muito boa, porque se trata do Benfica, um clube que tem um treinador que está a potenciar bastante os seus jogadores e acredito, fará o mesmo com o André Almeida. Apesar da sua juventude, está preparado para o desafio de jogar num clube como o Benfica, porque tem uma cabeça boa, é muito positivo e não se deixa influenciar por factores de ordem externa. Além do mais é uma excelente notícia para o futebol português, porque é o regresso de um clube como o Benfica ao mercado nacional e à contratação de um jovem com grande potencial», declarou João Carlos Pereira, ao site oficial da Desportimedia.
Além da sua qualidade, André é também um jogador de grande polivalência. A época passada, foi utilizado como médio-interior, mas mais recentemente, na selecção sub-21, André Almeida é uma opção indiscutível como lateral direito. O seu antigo treinador confirma essa capacidade de jogar nas duas posições: «Pode fazer, sem dificuldade as duas posições. É um jogador multi-funcional, muito dotado tacticamente e pode ser um lateral de grande qualidade. Na época passada, experimentei-o, várias vezes, como lateral direito, porque vejo nele qualidades muito interessantes para se afirmar nessa posição. É um jogador sereno, que aprende depressa e será, sem dúvida, uma grande contratação para o Benfica», terminou João Carlos Pereira.
O treinador do Ermis também destacou a qualidade do internacional sub-21 português, em declarações à Antena 1.
Ouvir as declarações aqui.
quarta-feira, maio 11, 2011
Um Olho à Benfica #47
Um novo reforço, uma grande vitória
Nos próximos dias o Benfica deve fechar a contratação de um jogador que confirmará a declaração do presidente do clube, quando prometeu que as contratações seriam mais rigorosas. Uma contratação que terá um significado especial para mim, porque se trata de um jogador de grande classe, que resolverá um problema ao Benfica e ao treinador e porque se trata de um amigo.
Pessoalmente, empenhei-me em influenciar o jogador a tomar esta decisão. Não foi fácil, porque teve uma proposta absolutamente louca da Turquia e outros convites importantes, da Inglaterra e…Portugal. Durante semanas discutimos o que seria melhor para a sua carreira até chegarmos ao ponto deste jogador ser confrontado com uma proposta do Benfica. Posso garantir que não demorou quatro minutos a aceitar, nem três segundos. O jogador já estava identificado com a história do clube e sobretudo com a cultura do clube e a importância de ser jogador do Benfica.
A contratação ainda não está fechada e no futebol, como sabem, as coisas mudam com facilidade. Porém, desta vez, tenho de elogiar a intervenção do presidente do Benfica, porque a decisão de o contratar é sua. Durante várias semanas, o treinador Jorge Jesus foi sendo sensibilizado para a sua contratação, mas foi Luís Filipe Vieira que arrepiou caminho. O presidente do clube está pessoalmente empenhado nesta contratação e se depender dele, acredito que ela não falhará.
Será também uma vitória anímica do Benfica sobre alguns dos seus adversários em Portugal. Uma contratação que representa o prestígio que o clube ainda mantém e que ainda é suficiente para atrair jogadores deste nível, apesar do assédio importante de outros clubes.
Perante isto, espero desmontar a ideia de que persigo algo que nunca esteve na minha cabeça. Não é a primeira vez que presto um serviço ao Benfica e não será a última. Nunca procurei um tacho no clube, o que espero são vitórias. A minha oposição ao presidente do clube não é pessoal, é crítica. E não me impede de torcer pelo Benfica e de prestar um serviço ao clube. Como sempre disse não confundo benfiquismo com vieirismo. E se tiver de o elogiar, elogio. Se tiver de o criticar, critico. Desde o dia 25 de Abril de 1974, vivo num país livre e democrático.
sábado, abril 30, 2011
Um Olho à Benfica #46
Existe por aqui um certo anónimo que mistura factos com hipocrisia para chegar a uma verdade inconveniente. A de que o FC Porto é a melhor equipa portuguesa. É um facto que actualmente não se presta a sofismas mas também não escapa a uma memória concreta das coisas. O Benfica hipotecou as suas aspirações no campeonato, graças a duas arbitragens vergonhosas em jogos cruciais.
Em Guimarães, o suficiente para entregar o título à quarta jornada ao FC Porto e, mais recentemente, em Braga, demolindo com as hipóteses ainda residuais que o Benfica mantinha de ser campeão. Esta derrota não acabou apenas matematicamente com as possibilidades do Benfica ser campeão, cavou um fosso anímico profundo entre um Benfica com 18 vitórias consecutivas e que ameaçava o domínio portista no campeonato, principalmente porque se aproximava o jogo da Luz com o FC Porto e a réplica cansada e desmotivada que se lhe seguiu. O anónimo dirá o que quiser e o que seu fanatismo clubístimo o permitir, mas existe um Benfica antes do jogo com o Braga e outro Benfica depois do jogo com o Braga. Antes de jogar na Bracara Augusta, o Benfica era, de facto, a melhor equipa portuguesa, a que vencia os seus adversários, os do seu campeonato com aparente facilidade e os outros com aparente indiferença. E por muito que o anónimo queira revisitar os factos, a verdade é que esse Benfica ameaçava ser imparável até ao final da época. Por isso, a recomendação superior de que era necessário travá-lo, fosse de que forma fosse. E, naturalmente, se isso não tem acontecido, estariamos nesta altura a discutir uma realidade diferente.
E, parecendo contraditório, é por isso que tenho uma enorme convicção de que vou estar em Dublin. Porque a UEFA não vai nomear para a segunda mão o Carlos Xistra ou Olegário Benquerença e, como se viu, no estádio da Luz, com um árbitro indiferente aos costumes nacionais, as hipóteses do Benfica ser bem sucedido aumentam exponencialmente. E isto é válido para o jogo da meia-final, onde estou convencido que o Benfica alcançará, não apenas o apuramento como um resultado ainda mais volumoso do que o se verificou no estádio da Luz, como também é válido para o jogo da final.
E aqui, dificilmente compreendo certos benfiquistas. Como se comprovou na recente final da Taça do Rei, num jogo deste tipo não há favoritos. Muito menos, numa final onde o FC Porto não é o Barcelona - por muito que um certo jornal desportivo se esforce por fazer essa comparação - nem o Benfica vai preparar a sua final de Dublin de uma forma tão reactiva como o Real Madrid o fez. Temos de reconhecer que o adversário é forte, está a jogar bem, mas não é inacessível e tão pouco a diferença entre as equipas justifica um infundado receio. É um jogo, podemos ganhar, podemos perder. E não esqueçam, em Dublin, não há túneis, não há galinhas, não há clima de terror, não há bolas de golfe e não há Xistra. Há um estádio, há uma bola, um árbitro isento e duas boas equipas de futebol. Afinal como devia ser sempre. E no final ganhará o melhor.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Um Olho à Benfica #45
quinta-feira, outubro 07, 2010
Um Olho à Benfica #44
sexta-feira, setembro 24, 2010
Um Olho à Benfica #43
segunda-feira, setembro 20, 2010
Um Olho à Benfica #42
A empolgante vitória do Benfica sobre o cada vez menos eterno rival, recentra o debate entre os benfiquistas: afinal quem é o sucessor de Di Maria? Naturalmente, o tempo aconselhará Gaitán, quando o médio argentino completar a sua adaptação a um novo estilo, a um novo campeonato e, fundamental, a um novo conceito de jogo. Enquanto isso não é possível, confesso que a possibilidade testada ontem, entre César Peixoto atrás e Coentrão, à frente, é uma solução que garante fiabilidade defensiva - Peixoto não é inapto defensivamente - e profundidade atacante.
Especialmente em jogos de campeonato como o de ontem, ou na Liga dos Campeões, é a solução que faz mais sentido e que equilibra melhor a equipa. Não sigo a tendência geral de que se perde o melhor lateral-esquerdo do mundo, por duas razões. Em primeiro lugar porque Coentrão não é o melhor lateral esquerdo do Mundo e em segundo, porque a afinidade táctica com Peixoto permite-lhe criar situações de embalo proporcionais à sua capacidade de desiquilibrar o adversário.
Além da magistral exibição de Cardozo, na activação de um jogo rápido e incisivo no flanco esquerdo, esteve a razão táctica para grande demonstração de poder e eficácia no ataque. E, claro, a melhor e mais completa exibição de Saviola, mais felino e menos ocasional no jogo,em todo este soluçante início de época, também ajudou à grande festança benfiquista sobre o Sporting.
Grande vitória que confirma que Jesus tem feito, desde o início, uma leitura correcta dos acontecimentos. Com os melhores jogadores, os que estiveram no Mundial e outros, em fase de retoma, a equipa vai estando mais perto do fulgor da época passada. Ainda a tempo de ganhar o campeonato. Basta que os adeptos se convençam de que um atraso de nove pontos não se recupera em duas ou três semanas. O que o Benfica deve conseguir é recuperar, até ao final da primeira volta, quatro ou cinco pontos em relação ao FC Porto e posicionar-se para uma segunda volta irresistível. E os adeptos devem convencer-se que a recuperação do Benfica no campeonato, não será uma corrida de cem metros, será uma maratona.
terça-feira, agosto 24, 2010
Um Olho à Benfica #41
quinta-feira, agosto 05, 2010
Um Olho à Benfica #40
O Benfica aceitou transferir Ramires para o Chelsea e executou um dos melhores negócios do ano, em Portugal. Isto é indiscutível e o mérito é de quem desenhou a operação, com um ano de antecedência. O presidente do Benfica - de quem não sou especial adepto - definiu os termos da negociação, com os investidores estrangeiros que tornaram possível ao Benfica contratar um craque de enorme categoria e numa fase ascendente da sua carreira.
O Benfica, inteligentemente, aceitou as regras do "empréstimo" e aceitou esta espécie de contratação "in vitro", para reforçar com qualidade, o seu plantel. O que aconteceu, neste último ano, é sintomático de que o Benfica estará em posição, no futuro, de fazer negócios semelhantes. O Benfica foi campeão, o jogador valorizou-se e os investidores ganharam o seu dinheiro, como era justo de acontecesse.
Além do mais, o Benfica realizou, no conjunto da operação, uma mais valia de nove milhões e meio de euros. Mais valia ficar quieto? Não creio. Imaginem, em simples exercicio, que cada um dos jogadores do Benfica, contratados daqui em diante, rendiam ao Benfica, o que Ramires rendeu. Talento, dedicação e milhões de euros. O negócio de Ramires, juntando o dinheiro investido, as boas exibições do jogador, a sua infulência no bom futebol e os milhões realizados, tratou-de um negócio criativo e percursor.
Aliás, este que o Benfica fez, devia ser um case-study para todos os clubes portugueses que se debatem com dificuldades e continuam a importar doses maciças de jogadores de qualidade duvidosa. Esses é que são negócios ruinosos, apenas para os clubes, completamente "vampirizados" por alguns dirigentes e agentes sem escrúpulos.
O que não vi ainda discutido, sobre Ramires e a sua venda, é que o Benfica enviou um sinal muito positivo para os investidores estrangeiros, que têm o dinheiro mas não confiam no futebol português e nos seus agentes. É que o Benfica é um clube que valoriza os jogadores e é um clube onde vale a pena investir. Agora não, mas no futuro, isto fará a diferença. E, principalmente, proporciona ao Benfica condições para descobrir um novo Ramires, investindo o Benfica na sua promoção desportiva e outros na aquisição dos seus direitos económicos.
Francamente, o presidente do Benfica já fez muitas coisas que mecerem a censura dos adeptos e dos sócios do Benfica, mas o negócio Ramires não é um caso de incompetência, mas sim de engenharia desportiva. Um grande negócio para o Benfica, como eu gostaria que fossem todos.
terça-feira, agosto 03, 2010
Um Olho à Benfica #39
No meio-campo do Benfica existe um novo painel de controlo. O homem que segura o comando é Aimar, começando e acabando nele, este novo Benfica. O modelo de jogo mantém-se, alteram-se as dinâmicas e o sistema. Sem Di Maria e Ramires para dar profundidade aos corredores laterais, Jorge Jesus demonstrou a sua astúcia e conhecimento do jogo. Diante do Aston Villa, transformou a equipa e a sua dinâmica numa oferta tacticamente mais variada, na criação e mais agressiva na recuperação da bola.
Dois argentinos emergem, na situação defensiva. O avançado Jara, permanentemente ligado à corrente do jogo, paradigma de um conceito adquirido de pressão, que transtorna o adversário logo na primeira fase de construção, ainda quando os seus jogadores de referência tentam orientar as ideias para uma nova hipótese de ataque. E Jara, promete vir a ser o avançado do campeonato português mais agressivo na recuperação da bola.
Desde a saída de Lisandro Lopez do FC Porto, que a Liga Sagres não tinha um jogador com o perfil de Jara. Com o tempo, aprenderá a desgastar-se menos, pressionando melhor. Mas é um grande reforço do Benfica e a sua utilidade transforma o ataque, e daí para trás, transforma a equipa.
No meio-campo, um novo Aimar. A imprensa não destacou convenientemente a exibição de Aimar, talvez porque não a percebeu. Neste Benfica, de 4-3-3, o médio argentino será uma espécie de Pirlo. Mais uma vez, Jesus, imagina uma coisa diferente da que toda a gente está à espera e tira da cartola uma solução, defensivamente equilibrada e ofensivamente mágica.
Em situação defensiva, é Aimar que coordena a equipa, colocando-se atrás de Carlos Martins, como interior direito e Airton, como interior esquerdo. Isto é o que faz o Milan, com sucesso, há muitos anos, com Gattuso e Ambrosini, jogando numa linha diferente de Pirlo, deixando que o médio criativo os organize. Ainda assim, a dinâmica do Benfica é muito superior à do Milan, o que dissuade qualquer tipo de comparação entre as duas equipas.
E o segredo do novo Benfica passa, muito, pela resolução técnica de Aimar e a sua disponibilidade para aceitar um novo desafio. Atenção, porque Aimar não será o seis clássico, o médio mais defensivo. A sua colocação numa linha ligeiramente atrás dos médios interiores, permite-lhe conhecer os movimentos do adversário, beneficiando das pulsões de Airton e da boa forma de Carlos Martins. E sobretudo, permite-lhe desgastar-se menos, na recuperação da bola, porque o trabalho "sujo" é feito pelos médios que estão à sua frente.
Além do mérito defensivo desta solução, existe o mérito principal de assegurar ao Benfica uma transição ofensiva limpinha, através do seu futebol liso, cristalino e preciso. Sempre que o Benfica recupera a bola no corredor central, o primeiro passe para um ataque rápido ou contra-ataque é de Aimar e é quase meia-hipótese de golo.
Este sistema e este novo Aimar, vão trazer mais novidades aos adeptos. Mas também há vítimas, do sucesso deste sistema. Uma delas será Javi Garcia, que não tem a mobilidade e a frescura de Airton, para jogar como interior - direito ou esquerdo - e por isso arrisca-se a perder o lugar na equipa. Não pela equivalência de talento que existe entre o médio espanhol e o jovem brasileiro, mas pela diferença de características.
Neste meio-campo, fica apenas a faltar um jogador. Chama-se Wesley e é um craque. Não daqueles craques que levam os adeptos ao delirio, mas daqueles craques que fazem qualquer treinador suplicar por eles. O presidente do Benfica viajou hoje para o Brasil, para tentar fechar a contratação deste médio e é bom que o faça rapidamente, porque há forças de bloqueio que pretendem inviabilizar esta contratação, já que reconhecem que se trata de um grande reforço, cirúrgico até, para o Benfica, prevenindo a iminente saída de Ramires.
E aqui, dou o braço a torcer, ou como é a preferência de um distinto comentador deste blogue, enfio a carapuça. O Benfica trabalhou bem, prevenindo a saída de Ramires. Porém, mais do que enfiar a carapuça, este é um caso em que devo tirar o chapéu.
O Benfica está a jogar o que ninguém pensou que viesse a jogar, desfalcado de Ramires e Di Maria e afinal, os nossos adversários deparam-se com este novo Benfica, ainda mais agressivo, mais demolidor e capaz de se reciclar tacticamente. E isso confunde-os e, nos bastidores, percebe-se um início de desespero. Porque, neste momento, a pressão está toda do lado dos nossos adversários e as próximas semanas prometem ser palpitantes na relação entre os dirigentes desses clubes e os adeptos das suas claques organizadas. Pelo meio, sucedem-se demissões, umas que são do conhecimento público e outras que já aconteceram e ainda não foram divulgadas. É uma espécie de Verão quente, que promete aquecer ainda mais, há medida que o Benfica for vencendo e convencendo.
segunda-feira, julho 26, 2010
Um Olho à Benfica #38
Chegou com dois meses de atraso, como certas notícias para mulheres e sonhos desfeitos. A noticia de que David Luiz foi convocado para a selecção do Brasil. É mesmo assim, mano, ou melhor, Mano, com letra grande e merecido aplauso.
A primeira convocatória que nos chega do País-Mano (agora é assim) trouxe uma grande novidade para o David e uma péssima altura para os Golias do futebol europeu. Se o nosso melhor defesa já valia entre quarenta milhões - visão realista - e cinquenta - era o que Vieira dizia - agora, acabou de se valorizar de uma forma absolutamente inatingível.
Gosto deste seleccionador do Brasil, verdadeiro irmão de língua e agora Mano do coração. E fez-se justiça a um dos melhores "zagueiros" do Mundo e ao jogador de maior classe do campeonato português.