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sexta-feira, novembro 04, 2011

A qualidade do futebol do SLB

Muito se tem discutido sobre o bom ou mau futebol que o Sport Lisboa e Benfica tem practicado. Eu sou dos poucos que tem defendido que o Benfica, esta época, está a apresentar um futebol excelente, quer em qualidade quer, acima de tudo, em maturidade.

A primeira época de Jesus encantou qualquer benfiquista. Eu também adorei aquele jogo louco, fantástico, contangiante que cilindrou o Setúbal e o Everton, por exemplo. Golos atrás de golos com a equipa sempre à procura do quarto ou do quinto. Como espectador aquilo foi delicioso. Mas eu sou mais que um mero espectador, sou benfiquista e quero ganhar. E por pouco não íamos ganhando. Aquela loucura de jogo provocou um enorme desgaste na equipa que se ressentiu disso na recta final do campeonato não tendo pernas para suportar os desafios da Liga Europa e da Liga nacional, o próprio treinador assumiu ter feito uma opção pelo campeonato nacional. Numa época em que o futebol practicado foi fabuloso as críticas que surgiram foram exactamente o desgaste que a equipa sofria desnecessariamente quando a ganhar não abrandava o ritmo de jogo mantendo a forte intensidade durante os 90 minutos. Abrandar o jogo não significa desconcentração, relaxamento, etc. Significa sim um controlo do jogo a um ritmo mais pausado, trocando a bola entre os nossos jogadores, fazendo o adversário correr atrás da bola e atacando pela certa.

O Benfica desta época, após um começo meio atribulado, começou a jogar desta forma mais pragmática, mais adulta, sem correrias doidas, com controlo do jogo e do ritmo. E tem tido claros resultados positivos com essa táctica como é exemplo a belíssima campanha europeia que estamos a fazer este ano e a liderança no campeonato. É usual ter o Barcelona como exemplo mas seria bem puxado comparar o estilo de jogo do Glorioso com o do Barça, mas comparo claramente com os dois primeiros anos de Mourinho no Chelsea quando os ingleses trocavam muito a bola entre si no meio campo, onde o guarda redes era elemento de jogo como qualquer outra tantas as vezes que a bola passava por ele e, quando encontravam um espaço, atacavam de forma eficaz. É um estilo de jogo que depende muito da eficácia no ataque porque, ao contrário das loucas correrias, não terá um caudal ofensivo tão volumoso. E é isso que tem faltado ao Benfica, marcar mais golos nas oportunidades que dispôe. Ao não marcar e avolumar a vantagem no marcador, quando se joga com uma vantagem mínima, existe sempre uma intranquilidade fruto do perigo de se sofrer um golo fortuito como tantas vezes acontece em futebol. Não é intranquilidade pelo jogo jogado do adversário mas sim pela magra vantagem. O jogo com o Olhanense é perfeito para isso. O SLB fez um jogo fabuloso, uma primeira parte de luxo em que chegou cedo a uma vantagem de dois golos, depois controlou a partida exemplarmente, impedindo o adversário de passar o meio campo sequer. Sofreu um golo num lance fortuito e manteve a magra vantagem até ao fim provocando a tal intranquilidade de sofrer um golo que podia ter acontecido nos minutos finais noutro lance fortuito. Em jogo jogado o Benfica controlou totalmente o jogo. Foi excelente.

Este estilo de jogo, aliado á rotação que Jorge Jesus está a fazer ao plantel, permite que a equipa mantenha a frescura física dos seus jogadores que pode e deve fazer a diferença em certos jogos ou momentos de jogo. O problema é que não foi nada disso que se viu com o Basileia e isso é preocupante. Não está em causa a qualidade do futebol do Benfica mas sim o facto de practicar um futebol que permite frescura física e depois, quando ela é precisa, não aparece. O Benfica não teve pernas para ir à procura da bola no jogo com os suiços e foi incapaz de ter aquela ponta final de coração à procura da vitória. Não faz sentido. Há aqui um problema, que espero que tenha sido meramente pontual, entre uma táctica que não desgasta os jogadores e mesmo assim eles rebentam aos 60 minutos de jogo. Esta táctica é excelente porque, na teoria, permite que os jogadores tenham capacidade para dar uma resposta enérgica quando necessário. Sem isso a táctica fica vulnerável a estes lances fortuitos e, porque jogamos em Portugal, às manhas dos árbitros.

O Benfica apresenta ainda algumas lacunas, principalmente nas tarefas defensivas, mas como bloco, está a jogar bem quando tem posse de bola. A qualidade dos seus jogadores permite trocar a bola entre si e ir progredindo no campo encostando o adversário à sua baliza e ir procurando espaços para penetrar na área adversária. Isto funciona muito bem e espero que seja para continuar. Se os benfiquistas perceberam a importância deste estilo de jogo e deixarem de assobiar quando trocamos a bola no nosso meio campo estaremos a dar um passo em frente, subiremos mais um patamar no caminho para o estrito grupo dos melhores dos melhores, estaremos mais perto de vencer. E não meus caros amigos, não liquem aos Ritas e Rosados deste mundo, Pablo Aimar não está a jogar mal.

Domingo o Benfica terá um teste fortíssimo. Será um jogo onde a garra de campeão terá que vir ao de cima porque é preciso responder claramente ao jogo menos conseguido de quarta feira. É um daqueles jogos onde se vê quem tem estofo de campeão. Aguardemos pela resposta dos nossos bravos.

12 comentários:

PB disse...

Maturidade?!

Uma equipa que no seu próprio estádio não conseguiu tirando pré eliminatorias nunca deixar de sofrer golos!?

Feirense, Guimarães, Académica, PAços de Ferreira, Olhanense e agora Basileia. Todos a irem p o intervalo a perder, e o Benfica consentiu sempre que esses adversários entrassem no jogo ao marcarem logo um golo nos primeiros 10,15 min da segunda parte?!

P n falar do Gil Vicente que foi fora...

Gosto mt do JJ, mas há 20 treinadores mais incompetentes q ele por ai, q ganhavam o campeoanto facilmente... e c ele tenho mtas duvidas

PB disse...

Desculpa, Pedro, mas a diferença deste ano p o ano anterior é a maior qualidade individual... pq gestão, controlo de ritmos, etc, é zero!

Anónimo disse...

Ao contrário do que diz o Pedro («é um estilo de jogo que depende muito da eficácia no ataque»), eu acho que é um estilo de jogo que depende muito da eficácia na defesa. Diz o Pedro que sofremos um golo fortuito diante do Olhanense. Será? É de mim ou sofremos um golo "fortuito" em todos os jogos que fizemos em casa? Se não me engano, estivemos sempre a ganhar por 2-0 nestes jogos e sofremos o tal golo "fortuito".
Na minha opinião, sem o Aimar não temos futebol para ganhar o que quer que seja, mas os extremos têm de defender melhor.
Mário

Pedro disse...

A maturidade está no controlo do jogo e não na qualidade (ou falta dela) do treinador. O treinador tem alguns méritos da mesma forma que tem deméritos. Tb acho q não é tão bom como pintam ( a subs do Aimar neste jogo mostra muito do q Jesus é (ou não é)).

Aí é que está. Tirando o Basileia em nenhum dos outros jogos o SLB permitiu que o adversário entrasse no jogo. Sim, sofremos um golo mas, como digo no post, a intranquilidade que se sentiu resultou da magra vantagem e não do jogo do adversário. Lá está, falta aquilo que falei no post, na capacidade de forçar em certos momentos do jogo. É suposto que a tal maturidade do jogo do SLB resulte numa capacidade explosiva de reacção em certos momentos do jogo. Não conteceu com o Olhanense após o golo sofrido(apesar de o nosso jogo ter sido o suficiente para voltar a marcar um golo) e não aconteceu contra o Basileia. São problemas que em nada anulam a maturidade do estilo de jogo do Glorioso.

PB disse...

Pedro, estar 2-0 e a passar para 2-1 e já são 4 ou 5 jogos SEGUIDOS em que isso acontece na Luz, é mais do que deixar entrar no jogo. É mais deixar entrar no jogo do que qd está 1 a 0. Pq a equipa treme e o adversário cresce. Foi assim q o Gil empatou, foi assim q o Olhanense n empatou por mero acaso (ou pelo Luisão, na verdade)

Foi assim q o Benfica acabou borradinho com o Guimaraes. E n fosse a qualidade individual n teria matado a seguir Academica e Paços.

O Benfica só tem os jogos ganhos qd chega a uma vantagem de 3 golos. Qq outra grande equipa europeia n precisa de tanto para sossegar. É falta de maturidade e essencialmente má ocupação do espaço defensivo.

Pedro disse...

Mário, eu reconheço problemas defensivos ao Benfica. E problemas que parece que o treinador não consegue resolver.

Mas não deixam de ser golos fortuitos (o do Basileia não foi) pq nascem de lances esporádicos e não de um caudal ofensivo constante do adversário.

dezazucr disse...

Como diz o PB, "essencialmente má ocupação do espaço defensivo".

Basta ver que 90% dos golos são sofridos da mesma forma, jogador isolado na cabeça da área remata com o guarda-redes desamparado. Não temos sofrido mais porque Artur tem safado muito.

Falta mais concentração e acutilância defensiva dos médios, espero que com o regresso de Javi melhore, pois parece-me que o Matic é muito indisciplinado. De qualquer forma, mesmo com o Javi, parece-me claramente que o Witsel tem de subir uns furos na compatibilidade com o outro médio mais defensivo.

Éter disse...

Pedro, sinceramente não vejo o célebre "descansar com bola" do Mourinho nesta equipa do Benfica. Os jogadores até podem ter instruções para tentar fazer isso, não sei se é esse o caso, mas o que é certo é que infelizmente não têm conseguido.

Em relação a isso é curioso consultar os números da Uefa e verificar que a posse de bola média do Benfica nos quatro jogos realizados até agora na Champions, sendo que três deles foram contra duas equipas claramente inferiores, é de 48%. E ainda vai baixar mais em Manchester...

Isso dos golos fortuitos sofridos pelo Benfica é como aquele gajo que bate com o carro uma vez por mês mas é sempre azar e culpa dos outros.

Vladimir Kaspov disse...

E que dizer da irritante falta de aproveitamento dos cantos atacantes? Algo que a equipa até era forte.

SLB4EVER disse...

Concordo em parte, o problema é que os últimos 3 jogos ficaram aquém do esperado e pior do que isso parece que houve um retrocesso nas ideias da equipa, estratégia, motivação atitude dos jogadores.
Vou usar como referencia o jogo em Basileia que no meu entender foi o jogo mais bem conseguido numa filosofia mais pragmática á abordagem ao jogo, aí realmente controlamos sempre o jogo, sendo feita uma boa gestão da posse de bola e muito importante nunca deixá-mos o adversário entrar no jogo, mentalmente esteve sempre quebrado e nem com 10 a coisa apertou muito.
Até ai a equipa dava mostras de vir a subir de rendimento, depois temos vindo a descer e isto faz confusão pq com a quantidade de jogadores novos de qualidade é de esperar que a margem de crescimento da equipa não se tenha esgotado já.
O que sem passado?
A equipa desliga muito rapidamente do jogo depois de estar em vantagem, recua muito as linhas e deixa de fazer gestão de posse de bola no meio campo adversário e tende a jogar directo e sem critério, o que permite, e isto é muito importante, que o adversário passe a acreditar em algo mais. Isto é por demais óbvio nas segundas partes.
Invarivelmente Aimar anda perdido em frente ao centrais adversários, qd a equipa precisa de construir a partir da defesa faltam linhas de passe e abusa-se em passes longos sem nexo perdendo-se o fio de jogo e controle. Qd a equipa está recuada o Aimar tem de vir pegar o jogo atrás para abrir espaços e construir e não andar a perguntar ao Cardozo qd é q a bola chega lá á frente, mas a equipa técnica é incapaz de ver isto?
Quando o adversário se adapta ao nosso jogo e melhora o dele a equipa não tem sabido responder com uma melhor ocupação dos espaços, aqui o treinador tem de melhorar tanto nas mexidas posicionais como na reação ás incidencias do jogo com substituições acertadas.
Nolito trouxe á equipa uma agressividade positiva no ataque e não se compreende que seja encostado para o B.César fazer 3 jogos seguidos por semana, a equipa tem tudo a ganhar em ir rodando entre o Nolito/César/Gaitán consoante os jogos e desgaste, ñ percebo pq se deixou de fazer a rotação que até aí dava bons resultados.
Wistel quebrou muito, de tal maneira que não percebo pq ñ fica a ver jogar o Amorim ou o D.Simão ás vezes.
Os cantos tb é preciso fazer algo, seja quem marque, ou o lado é invariavelmente da mesma maneira muitas vezes mal marcado, já cansa esta falta de aproveitamento.
Estado físico dos jogadores tb é precisco melhorar, não compreendo como é que mesmo sendo feita alguma rotação temos metade dos jogadores na 2ª parte a 60%.
Não há de ser só isto mas estas situaçoes são evidentes, já são a golos a mais sofridos na segunda parte devido a estes erros/problemas para ainda pensar que são apenas fruto do acaso.

Em Braga não pode haver outro pensamento que não seja a vitória, já se esgotou a tolerancia para faltas de atitude e erros crassos da equipa técnica e jogadores.

RockDaLinha disse...

Começo a ficar muito preocupado com o estado da equipa. Vejo ali alguns problemas faceis de resolver:

- Falar com o garoto Gaitan. Ele tem que perceber que está a jogar no Benfica. E enquanto tiver em campo, há que dar tudo. Correr do principio ao fim.
- Por o B.Cesar a correr. Fazer entender que isto não é o Brasil, e que no Benfica, quando não se tem a bola é preciso pressionar e saber estar em campo e principalmente correr sem a bola.
- O Cardozo tem de deixar de ser infantil, e se quer jogar no 11 tem de o demonstrar, principalmente quando começa o jogo no banco.
- O JJ não pode por o Matic a fazer o mesmo trabalho que faz o Garcia. São jogadores diferentes, o JJ que abra a pestana.
- Que o Benfica perceba, que as substituições são para ser pensadas durante um jogo e não antes, como fez neste ultimo jogo. Foi a borrada que se viu, nem nas distritais de ve isto.
- A defesa tem de ser trabalhada, anda a sofrer golos todos os jogos. Parece que a defesa sente que não tem substitutos à altura e então deixa-se dormir.
- O JJ tem de por aqueles jogadores que dão o litro nos treinos, não podemos olhar para o nome das camisolas se não assim não vamos a lado nenhum. Enquanto alguns Benfiquistas e comunicacao social andarem a lamber o cu a alguns jogadores do benfica, estamos lixados.
Tivemos o exemplo do Saviola, já não corria nos jogos e o "terceiro anel" não lhe deu hipoteses.
Eu sou daqueles socios que quando vejo que os jogadores não estão a lutar ate ao fim, assobio e insulto. Por isso há que abrir os olhos ao Witsel, ainda não percebi se é fama a mais ou anda cansado.
Enfim... vamos ver no que dão os proximos jogos, tenho a certeza que depois destes jogos se vai tirar a pinta a muitos jogadores.
Eu ainda acredito na equipa, espero uma vitoria em Braga e uma vitoria com os de verde ranho. Em manchester peço atitude, vontade duantes os 90 minutos e não 5,10 ou 15.
Bora lá!!

Jotas disse...

Caro pedro, embora note alguma quebra no Benfica, o que sucede sempre em determinada fase da época e é fundamental conseguir vencer nessas alturas e o Benfica tem vencido, concordo e partilho do teu raciocínio e é isso mesmo que venho defendendo em vários posts.