Labaredas
Existe um local, semi-recôndito, do site oficial do FC Porto, que dá pelo nome de “Labaredas”, que é um interessante exercício sobre a soberba e a falta de chá. A primeira resolve-se com o tempo, a segunda devia ter sido resolvida na infância. O autor dos textos, presumindo um humor a que tem notórias dificuldades em ascender, sente-se particularmente babado quando escreve sobre o Benfica e as suas dificuldades de organização.
Só há uma coisa que detesto mais do que mau perder no desporto. É o mau ganhar. Aqueles que sentindo-se enfunados pelas vitórias, não conseguem distinguir, nos festejos, entre o que é um foguete no ar e um foguete para a Lua. Um foguete no ar, é sinal de festa merecida e apoiada pelo sentimento. Um foguete para a Lua é um desejo meu, onde cabem todos os “labaredas” do nosso futebol, que não conseguem ultrapassar os seus complexos e principalmente não conseguem pular a cerca do respeito.
Os limites do tempo devoram-nos a certeza de que as coisas não mudam. O Mundo ainda é redondo, mas com tantas ideias quadradas, será impossível manter esta geometria intacta. As pessoas que não conseguem realizar essa mudança, serão incapazes de a perceber. O “Labaredas” não consegue atingir mais nada que não seja a sua ganância de vitórias, não cuidando se saber que há mais marés que marinheiros.
Um dia isto acaba e o “Labaredas” que voltará a escrever?
Pelo menos, confirma-se a ideia de que, em Portugal, quando nascemos, somos todos benfiquistas. Uma esmagadora maioria é tocada por uma graça divina e é-lhes permitido que continuem a sê-lo por uma vida inteira. Os outros, como o “Labaredas”, escrevem textos tontos e ressentidos. Até ao dia em que o Benfica se organizará, vencerá e imporá uma nova ordem no desporto português. Não sei quantos anos isso demorará, posso até temer que isso não aconteça nos próximos anos, mas de uma coisa estou seguro. Quando isso acontecer, o “Labaredas” será reduzido a cinzas. E nessa altura, até a Avenida dos Aliados voltará a ser nossa.
PS: Já está. Ainda não apareceu o Movimento Benfica Vencer Vencer e a direcção de comunicação do Benfica já colou este movimento à campanha esquizofrénica dos jornais sobre a sucessão de Quique. Não há um benfiquista que conheça – e conheço vários – que integrem esse movimento que não se sinta indignado com essa campanha. Mas também não há um único benfiquista desse movimento que não saiba a guerra fraticida existente no interior do clube entre duas facções. Uma pró-Quique e outra pró-Jesus. E é desta divisão interna que os jornais se alimentam, porque as fontes que os sustentam, fazem o percurso de dentro para fora. Para acabar neste espectáculo degradante que prejudica o Benfica e diverte o “Labaredas”.
Ser do Benfica não se explica, sente-se. É mais que uma paixão, maior que um amor, é um estado de espírito.
blog
sexta-feira, maio 29, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
A Fervilhar
A actual situação do Sport Lisboa e Benfica, com a indefinição em relação ao futuro do actual treinador do clube pôs a blogoesfera benfiquista a fervilhar de emoções. São denúncias de situações reprováveis por parte de representantes máximos do Benfica, são revelações de reuniões semi-secretas com vista a angariar apoios para possiveis candidaturas, são movimentos, são ataques, são defesas, pede-se calma, outros pedem acção. Ninguem se entende.
Não sei quem tem razão, acredito que todos têm alguma razão e que nenhum tem a razão toda, mas há algo que eu não consigo esconder, que é a sensação que tenho de que a Direcção do Benfica está completamente à nora. Há quem defenda o contrário, que está tudo controlado, que faz tudo parte de uma jogada. Sinceramente não consigo perceber qual mas adorava que fosse verdade.
Preciso de motivos para poder confiar. Conseguem-mos dar?
Não sei quem tem razão, acredito que todos têm alguma razão e que nenhum tem a razão toda, mas há algo que eu não consigo esconder, que é a sensação que tenho de que a Direcção do Benfica está completamente à nora. Há quem defenda o contrário, que está tudo controlado, que faz tudo parte de uma jogada. Sinceramente não consigo perceber qual mas adorava que fosse verdade.
Preciso de motivos para poder confiar. Conseguem-mos dar?
terça-feira, maio 26, 2009
Maxi Pereira
Este impasse sobre a situação de Quique Flores é uma boa oportunidade para elogiar aquele que foi, para mim, o melhor jogador do Benfica na época de 2008/09: Maxi Pereira.Um dos patinhos feios da época anterior ao recuar no terreno para a posição de lateral direito voltou a receber duras críticas dos benfiquistas que temiam um descalabro defensivo mas, através da sua raça, profissionalismo e, porque não, qualidade, Maxi demonstrou ser um defesa lateral direito que honra os pergaminhos do manto sagrado.
Uma das posições que mais dores de cabeça deu na pré época aos benfiquistas acabou por ser a posição mais segura e tranquila que a equipa teve ao longo da época e a isso se deve à excelente prestação que o uruguaio teve ao longo da época. Quer contra adversários rápidos, quer contra adversários duros, Maxi nunca perdeu uma luta, nunca baixou os braços.
O Benfica ganhou um lateral direito e os benfiquistas respeito pelo Maxi Pereira.
domingo, maio 24, 2009
SL Benfica - Belenenses: 3-1
O Benfica despede-se da época 2008/09 com uma vitória tranquila perante 30 mil benfiquistas no Estádio da Luz.
Um jogo que mostra bem os equívocos que Quique teve durante toda a época ao manter um meio campo demasiado macio e permeável defensivamente, de colocar Aimar no apoio directo ao ponta de lança apesar de Di Maria ter rubricado uma belíssima exibição nessa posição no jogo anterior, de se ter percebido, mas uma vez, do crime que foi manter Cardozo no banco durante tantos jogos, da utilidade que Fellipe Bastos poderia ter tido ao longo da época se tem sido mais utilizado tal como o próprio Mantorras que, pelo menos, no Estádio da Luz podia perfeitamente ter sido mais utilizado.
Chegar à última jornada e ver repetidos alguns dos erros cometidos ao longo da época é frustrante. O que vale é que temos, de facto, belíssimos jogadores que a nível individual conseguem ultrapassar as limitações do colectivo. Aimar ao descer alguns metros no terreno encontra bola e espaço para poder fazer passes deliciosos, Urreta rápido e irreverente com o apoio de Maxi dinamizou muito a ala direita, Cardozo a marcar, de cabeça, mais uma vez, etc. Pequenos pormenores individuais que permitem ultrapassar as dificuldades que o colectivo apresenta em termos de jogo a meio campo. Essencialmente a meio campo. O meio campo não fecha defensivamente o que provoca que a defesa seja sempre "assaltada" e depois não consegue compensar ofensivamente quando tem posse de bola. Quique emendou a mão rapidamente e com Fellipe Bastos em campo ganhou músculo, pressing e libertou Katsouranis para uma posição que rende mais.
O Belenenses a precisar de marcar abriu o jogo e, dessa forma, foi mais fácil para os nossos jogadores encontrarem o caminho do golo. E marcámos três golos por três jogadores que gostei que os tivessem marcado: Cardozo por razões óbvias, Fellipe Bastos porque merecia o alento e o inevitável Mantorras que teima em calar os seus críticos, mostrando que cabe no plantel do Benfica porque consegue resolver neste tipo de jogos.
O árbitro esteve razoavelmente bem. Anulou bem o golo ao Belenenses por braço de Wender, a expulsão foi clara mas não podia faltar o amarelo ao Aimar por protestos. A tal facilidade em amarelar jogadores do Glorioso.
Um jogo sem muita história onde o mais importante se irá passar de seguida. Terá sido o último jogo de Quique? De Luisão e Katsouranis? De Di Maria? Em breve saberemos. No final do jogo Quique disse que os adeptos podem estar de cabeça erguida, eu concordo. Se há alguem que tudo deu este ano foram os adeptos, foram inexcedíveis no apoio à equipa. Mereciam muito mais.
Aguardemos pelo futuro. Decisões importantes se avizinham.
PS: Belenenses desce de divisão. Desta vez o amigo corrupto não os acudiu...
Um jogo que mostra bem os equívocos que Quique teve durante toda a época ao manter um meio campo demasiado macio e permeável defensivamente, de colocar Aimar no apoio directo ao ponta de lança apesar de Di Maria ter rubricado uma belíssima exibição nessa posição no jogo anterior, de se ter percebido, mas uma vez, do crime que foi manter Cardozo no banco durante tantos jogos, da utilidade que Fellipe Bastos poderia ter tido ao longo da época se tem sido mais utilizado tal como o próprio Mantorras que, pelo menos, no Estádio da Luz podia perfeitamente ter sido mais utilizado.
Chegar à última jornada e ver repetidos alguns dos erros cometidos ao longo da época é frustrante. O que vale é que temos, de facto, belíssimos jogadores que a nível individual conseguem ultrapassar as limitações do colectivo. Aimar ao descer alguns metros no terreno encontra bola e espaço para poder fazer passes deliciosos, Urreta rápido e irreverente com o apoio de Maxi dinamizou muito a ala direita, Cardozo a marcar, de cabeça, mais uma vez, etc. Pequenos pormenores individuais que permitem ultrapassar as dificuldades que o colectivo apresenta em termos de jogo a meio campo. Essencialmente a meio campo. O meio campo não fecha defensivamente o que provoca que a defesa seja sempre "assaltada" e depois não consegue compensar ofensivamente quando tem posse de bola. Quique emendou a mão rapidamente e com Fellipe Bastos em campo ganhou músculo, pressing e libertou Katsouranis para uma posição que rende mais.
O Belenenses a precisar de marcar abriu o jogo e, dessa forma, foi mais fácil para os nossos jogadores encontrarem o caminho do golo. E marcámos três golos por três jogadores que gostei que os tivessem marcado: Cardozo por razões óbvias, Fellipe Bastos porque merecia o alento e o inevitável Mantorras que teima em calar os seus críticos, mostrando que cabe no plantel do Benfica porque consegue resolver neste tipo de jogos.
O árbitro esteve razoavelmente bem. Anulou bem o golo ao Belenenses por braço de Wender, a expulsão foi clara mas não podia faltar o amarelo ao Aimar por protestos. A tal facilidade em amarelar jogadores do Glorioso.
Um jogo sem muita história onde o mais importante se irá passar de seguida. Terá sido o último jogo de Quique? De Luisão e Katsouranis? De Di Maria? Em breve saberemos. No final do jogo Quique disse que os adeptos podem estar de cabeça erguida, eu concordo. Se há alguem que tudo deu este ano foram os adeptos, foram inexcedíveis no apoio à equipa. Mereciam muito mais.
Aguardemos pelo futuro. Decisões importantes se avizinham.
PS: Belenenses desce de divisão. Desta vez o amigo corrupto não os acudiu...
sexta-feira, maio 22, 2009
Um Olho à Benfica #8
Varandas sobre a actualidade
Uma recente entrevista do doutor João Varandas Fernandes ao jornal Record trouxe uma inesperada discussão ao debate sobre o aparecimento de uma eventual aparecimento de uma candidatura alternativa e credível à actual direcção. É bom que se esclareça, que tenho para mim, que para convencer verdadeiramente os benfiquistas da bondade de uma mudança, é absolutamente crucial que uma futura candidatura seja, de facto, alternativa e credível. De outro modo, não adiantará estar a maçar os benfiquistas com mais ruído e com mais desunião.
Outra condição fundamental é a de que um futuro candidato à presidência do Benfica se possa mesmo candidatar, sem atropelos aos estatutos e sem mudanças de última hora a esses estatutos, apenas para beneficiar esse putativo candidato. E claro, sem ter a necessidade de uma equipa de advogados, que possam atrasar ainda mais o próximo ciclo eleitoral, com o recurso inédito aos tribunais, utilizando a figura de providência cautelar.
Claramente o doutor João Varandas é uma imensa pedrada no actual charco ideológico em que se discute o Benfica e o seu futuro. De um lado, a utilização sistemática de um discurso oco e demagógico, desafiando outros benfiquistas na sua integridade moral, chamando-lhes abutres, hienas ou outras espécies humanas. Do outro, uma crítica desmiolada com recurso a um incompreensível encosto à forma como o nosso principal adversário é gerido.
Desde já adianto que conheço pessoalmente o doutor João Varandas. E antes que possam acusá-lo de oportunismo ou de reclamar para si uma agenda suspeita e maviosa, posso assegurar que o doutor João Varandas pertence a um tipo de pessoas que inquestionável valor humano e indesmentível categoria humana. Não sei se, no futuro, virá a ser candidato à presidência do Benfica. O seu perfil é claramente alternativo e o seu percurso é objectivamente credível. Mas trata-se de uma pessoa com uma agenda muito sobrecarregada – é a única agenda que lhe conheço – pois gere um orçamento maior do que o do Benfica, um universo de vários milhares de pessoas e será ainda o director do futuro Hospital de Cascais. Trata-se igualmente de um quadro muito qualificado do Grupo Caixa e ainda médico da Casa Civil da Presidência da República. É um benfiquista insuspeito, sofredor e muito preocupado com o actual rumo do clube. Será isto crime?
Para muitos benfiquistas ainda é um crime pensar de forma diferente da actual direcção. Para mim não é. Para um número cada mais alargado de benfiquistas também não é. Porém, na crítica, muitas vezes falta autoridade moral e capacidade de fundamentação a quem se opõe a Luís Filipe Vieira. É uma verdade que não deve ser escondida. Há pedras que se atiram à actual direcção que escondem estratégias sôfregas e descuidadas de auto-promoção.
Não é o caso do doutor João Varandas. Um homem que jamais pode ser acusado pelo actual presidente do Benfica de ser um abutre. Pois, de outro modo, como explicaria o presidente do Benfica o convite que fez ao doutor João Varandas para liderar o projecto da Fundação Benfica, há vários meses atrás?
O convite foi recusado, sem dramas, sem ressentimentos, apenas porque o doutor João Varandas explicou ao presidente do Benfica a sua preocupação pela gestão do clube em geral e pelo projecto da Fundação em particular. E tratava-se de uma diferença de opiniões completamente insanável, em relação à natureza social da Fundação e ao seu modo de financiamento.
Seguramente que é precipitado dizer-se que o doutor João Varandas será candidato. Não creio que seja isso que está na sua cabeça. Pelo menos, para já. Porque assim emite o seu primeiro sinal público de que não corre atrás de reconhecimento público, mas sim atrás de uma ideia, de um conceito e de uma discussão que ainda está por fazer no extenso universo benfiquista.
Conhecendo o doutor João Varandas, reconhecendo que as eleições serão em Outubro, creio que ele estará mais interessado em trazer mais Benfica para a discussão e menos protagonismo. O Movimento de que o doutor João Varandas fala é o exemplo mais concreto das suas intenções. Interessa-lhe discutir o Benfica, não lhe interessa discutir o presidente do Benfica. É nessa separação que se pode estabelecer uma diferença crucial entre Movimento e candidatura. O primeiro servirá para discutir ideias e mais tarde uma alternativa. Uma candidatura, cujo exemplo que temos é a prova mais indiscutível, reflecte um interesse em discutir os nomes e depois as ideias. E há mais de vinte anos que o Benfica discute nomes. De presidentes, de directores, de treinadores e de jogadores. Chegou a hora de discutir as ideias.
Uma recente entrevista do doutor João Varandas Fernandes ao jornal Record trouxe uma inesperada discussão ao debate sobre o aparecimento de uma eventual aparecimento de uma candidatura alternativa e credível à actual direcção. É bom que se esclareça, que tenho para mim, que para convencer verdadeiramente os benfiquistas da bondade de uma mudança, é absolutamente crucial que uma futura candidatura seja, de facto, alternativa e credível. De outro modo, não adiantará estar a maçar os benfiquistas com mais ruído e com mais desunião.
Outra condição fundamental é a de que um futuro candidato à presidência do Benfica se possa mesmo candidatar, sem atropelos aos estatutos e sem mudanças de última hora a esses estatutos, apenas para beneficiar esse putativo candidato. E claro, sem ter a necessidade de uma equipa de advogados, que possam atrasar ainda mais o próximo ciclo eleitoral, com o recurso inédito aos tribunais, utilizando a figura de providência cautelar.
Claramente o doutor João Varandas é uma imensa pedrada no actual charco ideológico em que se discute o Benfica e o seu futuro. De um lado, a utilização sistemática de um discurso oco e demagógico, desafiando outros benfiquistas na sua integridade moral, chamando-lhes abutres, hienas ou outras espécies humanas. Do outro, uma crítica desmiolada com recurso a um incompreensível encosto à forma como o nosso principal adversário é gerido.
Desde já adianto que conheço pessoalmente o doutor João Varandas. E antes que possam acusá-lo de oportunismo ou de reclamar para si uma agenda suspeita e maviosa, posso assegurar que o doutor João Varandas pertence a um tipo de pessoas que inquestionável valor humano e indesmentível categoria humana. Não sei se, no futuro, virá a ser candidato à presidência do Benfica. O seu perfil é claramente alternativo e o seu percurso é objectivamente credível. Mas trata-se de uma pessoa com uma agenda muito sobrecarregada – é a única agenda que lhe conheço – pois gere um orçamento maior do que o do Benfica, um universo de vários milhares de pessoas e será ainda o director do futuro Hospital de Cascais. Trata-se igualmente de um quadro muito qualificado do Grupo Caixa e ainda médico da Casa Civil da Presidência da República. É um benfiquista insuspeito, sofredor e muito preocupado com o actual rumo do clube. Será isto crime?
Para muitos benfiquistas ainda é um crime pensar de forma diferente da actual direcção. Para mim não é. Para um número cada mais alargado de benfiquistas também não é. Porém, na crítica, muitas vezes falta autoridade moral e capacidade de fundamentação a quem se opõe a Luís Filipe Vieira. É uma verdade que não deve ser escondida. Há pedras que se atiram à actual direcção que escondem estratégias sôfregas e descuidadas de auto-promoção.
Não é o caso do doutor João Varandas. Um homem que jamais pode ser acusado pelo actual presidente do Benfica de ser um abutre. Pois, de outro modo, como explicaria o presidente do Benfica o convite que fez ao doutor João Varandas para liderar o projecto da Fundação Benfica, há vários meses atrás?
O convite foi recusado, sem dramas, sem ressentimentos, apenas porque o doutor João Varandas explicou ao presidente do Benfica a sua preocupação pela gestão do clube em geral e pelo projecto da Fundação em particular. E tratava-se de uma diferença de opiniões completamente insanável, em relação à natureza social da Fundação e ao seu modo de financiamento.
Seguramente que é precipitado dizer-se que o doutor João Varandas será candidato. Não creio que seja isso que está na sua cabeça. Pelo menos, para já. Porque assim emite o seu primeiro sinal público de que não corre atrás de reconhecimento público, mas sim atrás de uma ideia, de um conceito e de uma discussão que ainda está por fazer no extenso universo benfiquista.
Conhecendo o doutor João Varandas, reconhecendo que as eleições serão em Outubro, creio que ele estará mais interessado em trazer mais Benfica para a discussão e menos protagonismo. O Movimento de que o doutor João Varandas fala é o exemplo mais concreto das suas intenções. Interessa-lhe discutir o Benfica, não lhe interessa discutir o presidente do Benfica. É nessa separação que se pode estabelecer uma diferença crucial entre Movimento e candidatura. O primeiro servirá para discutir ideias e mais tarde uma alternativa. Uma candidatura, cujo exemplo que temos é a prova mais indiscutível, reflecte um interesse em discutir os nomes e depois as ideias. E há mais de vinte anos que o Benfica discute nomes. De presidentes, de directores, de treinadores e de jogadores. Chegou a hora de discutir as ideias.
Ramires por 5 anos
Depois do comunicado à CMVM negando negociações pelo jogador, hoje o Benfica comunica à mesma entidade a contratação de Ramires por 5 anos, um negócio que custará aos nossos cofres 7.5 milhões de euros. Mais uma contratação de vulto que o Benfica realiza, apesar da crise financeira e dos fracos resultados desportivos que impedem a participação na Champions. Quem o conhece garante que estamos perante um excelente jogador que acaba de ser convocado para a Selecção do Brasil. Tem 22 anos e uma claúsula de rescisão de 30 milhões de euros. Consta que irá auferir 1 milhão de euros por época.
Ramires sejas bem vindo ao maior clube do mundo.
Ramires sejas bem vindo ao maior clube do mundo.
quinta-feira, maio 21, 2009
Hum...
São muitos suspeitos estes elogios de Scolari a Ramires. Se juntarmos a contratação de Patric...hum...
Será?
Será?
terça-feira, maio 19, 2009
Soltas #83
- Mais uma semana se passa e o reboliço no Benfica continua. Treinadores e jogadores chegam às dezenas ao clube, metade da equipa vai sair, e não sai nenhuma palavra da Direcção para informar os benfiquistas. o que não bate certo é serem tão rápidos para desmentir certas coisas menores e nada dizerem perante esta confusão toda.
- Eu considero que a sintonia entre Director Desportivo e Treinador é fundamental para o sucesso de um clube. Contratar jogadores sem a presença do treinador pode resultar num autêntico tiro no pé no futuro. O bom senso manda-me acreditar que estas contratações e negociações estão a ser feitas com o aval do treinador do Benfica, seja o actual que se vai manter ou o futuro que já está a trabalhar nos bastidores.
- Vieira foi "implicado" no caso No Name Boys. É notícia para encher choriços. Cheira-me a vingança de quem tem culpas no cartório pelo ambiente de repressão e violência que se viveu nas bancadas da Luz nos últimos tempos e que acabou despedido. É perfeitamente natural que o Presidente do Benfica converse com os NN, principalmente quando estes lhe fizeram chegar inúmeras queixas. Vieira pedir às autoridades para deixarem entrar tochas? Alguem acredita nisso?
- Veiga falou. E disse algo que todos nós já dissemos e discutimos. Afirmou que não é candidato. Mas podia e devia ter tocado noutros temas como arbitragem e corrupção mas compreendo que não o faça na sua actual posição. Mas tinha ganho pontos se o tem feito.
- Estranho os valores que se falam para as contratações dos laterais Patric e Pereira. São demasiado altos para a actual conjectura económica quer do clube quer do mundo do futebol e, penso eu, reduzem em muito o orçamento disponível para atacar os "tubarões" desejados. Ou então, como alguém disse, descobriram petróleo para os lados da Luz.
- Em Andebol estamos a disputar a final com o clube corrupto, quinta feira na Luz irá ocorrer o segundo jogo da final. A raça da equipa de Andebol é digna de nos encher de orgulho. Em Basket falta uma vitória para atingir a final. Em grande estas modalidades.
- A blogoesfera benfiquista está mais pobre. O Encarnado e Branco foi encerrado. Espero que temporariamente. J G, serás sempre bem vindo a este espaço. Abraços
- Eu considero que a sintonia entre Director Desportivo e Treinador é fundamental para o sucesso de um clube. Contratar jogadores sem a presença do treinador pode resultar num autêntico tiro no pé no futuro. O bom senso manda-me acreditar que estas contratações e negociações estão a ser feitas com o aval do treinador do Benfica, seja o actual que se vai manter ou o futuro que já está a trabalhar nos bastidores.
- Vieira foi "implicado" no caso No Name Boys. É notícia para encher choriços. Cheira-me a vingança de quem tem culpas no cartório pelo ambiente de repressão e violência que se viveu nas bancadas da Luz nos últimos tempos e que acabou despedido. É perfeitamente natural que o Presidente do Benfica converse com os NN, principalmente quando estes lhe fizeram chegar inúmeras queixas. Vieira pedir às autoridades para deixarem entrar tochas? Alguem acredita nisso?
- Veiga falou. E disse algo que todos nós já dissemos e discutimos. Afirmou que não é candidato. Mas podia e devia ter tocado noutros temas como arbitragem e corrupção mas compreendo que não o faça na sua actual posição. Mas tinha ganho pontos se o tem feito.
- Estranho os valores que se falam para as contratações dos laterais Patric e Pereira. São demasiado altos para a actual conjectura económica quer do clube quer do mundo do futebol e, penso eu, reduzem em muito o orçamento disponível para atacar os "tubarões" desejados. Ou então, como alguém disse, descobriram petróleo para os lados da Luz.
- Em Andebol estamos a disputar a final com o clube corrupto, quinta feira na Luz irá ocorrer o segundo jogo da final. A raça da equipa de Andebol é digna de nos encher de orgulho. Em Basket falta uma vitória para atingir a final. Em grande estas modalidades.
- A blogoesfera benfiquista está mais pobre. O Encarnado e Branco foi encerrado. Espero que temporariamente. J G, serás sempre bem vindo a este espaço. Abraços
segunda-feira, maio 18, 2009
Tacuara
domingo, maio 17, 2009
Braga - SL Benfica : 1-3
Na última deslocação da época o Glorioso consegue uma vitória tranquila num jogo com pouca história em termos de classificação final mas onde o árbitro recusou não ser interviniente máximo.
No esperado, pela conjectura actual, duelo de treinadores, Jesus é fortemente penalizado pelos erros da sua equipa enquanto que Quique Flores voltou a mostrar o quanto equivocado andou durante grande parte da época ao não dar mais tempo de jogo a Cardozo e a Moreira. Tacuara voltou a facturar e a realizar uma estupenda exibição, principalmente na primeira parte onde esteve soberbo. Moreira, pelo seu lado, mostrou aos benfiquistas que é possível um guarda redes defender bolas que vão à baliza. Não sou muito fã do guarda redes benfiquista mas é absurdamente melhor que Quim. Este era um daqueles jogos que eu gostava de ver no início da época, em que dá ao treinador, e adeptos, a possibilidade de constatar certas coisas: Cardozo é um excelente avançado; Moreira é melhor que Quim; Di Maria rende bem a segundo avançado; Amorim no meio dá muito mais segurança e qualidade de jogo; mas ao ser na penultíma jornada deixa um amargo de boca pois pouco ou nada acrescenta à equipa nem sequer para o futuro pois o mesmo é ainda uma grande incognita para metade do plantel e equipa técnica do Benfica.
Não vi os primeiros 10 minutos por isso não apanhei a constituição da equipa mas presumo que David Luiz seria o lateral esquerdo com Ribeiro na ala à sua frente e Reyes da direita. Com a lesão do defesa brasileiro Quique faz entrar Urreta e recuar Ribeiro para lateral. Acabou por ter sorte nessa opção pois Urreta fez um belíssimo jogo com pormenores muito interessantes que mostram que pode ter um futuro risonho, como jovem que é ainda apresenta algumas falhas mas nada que o tempo e treino não resolvam. Ao apanhar o jogo com o Benfica em vantagem e pouco depois ver Di Maria a fazer o segundo golo foi com total paz de espírito que assisti ao jogo centrando, principalmente, nas exibições individuais dos jogadores e, nesse aspecto, Cardozo mais uma vez encheu-me as medidas. E Moreira também, há que dizê-lo. Jogadores que se Quique tem apostado mais neles talvez tivessemos mais uns pontitos do que temos.
Mas apesar de ter sido um jogo descansado ainda tive que soltar uns palavrões porque o árbitro de serviço achou que se a defesa do Braga estava a dar barraca ele tinha que equilibrar as coisas. O amarelo ao Moreira, aos 31 minutos, é uma vergonha. Passamos uma época inteira a ver guarda redes adversários na Luz a fazer um anti jogo deplorável e a levarem, quando levam, amarelo aos 85 minutos e agora Moreira leva um aos 31 minutos? E mais uma vez se demonstra facilidade com que se marcam penaltys contra o Benfica e são expulsos jogadores nossos. É verdade que é penalty de Miguel Vítor mas, lá está, duvido qe o mesmo seria assinalado se o Vítor vestisse um equipamento às riscas verde ou azul, e a expulsão do Yebda é patética. Simplesmente patética. E os amarelos que Reyes tem levado esta época por levar porrada atrás de porrada? E o único fora de jogo que não teve direito a risquinha amarela nas repetições da TV foi aquele em que Cardozo se isolava perante Eduardo. Interessante não é? São arbitragens destas que nos vão castrando os jogadores. Muitas vezes pedimos mais garra e atitude aos nossos jogadores mas depois, no relvado, eles são brindados com arbitragens destas. Levam porrada da grossa e nada acontece aos adversários e depois eles são admoestados com amarelos e vermelhos "por dá cá aquela palha"... É preciso acabar com esta palhaçada, é preciso que os benfiquistas acordem para esta realidade pois são estas coisinhas que acabam com os nossos jogadores e treinadores...
Falta uma jornada. O Benfica tem muitas decisões a tomar nos próximos tempos. Decisões importantes. Que a próxima semana seja calma e que se comece a tratar do futuro do Glorioso após o jogo com o Belenenses.
No esperado, pela conjectura actual, duelo de treinadores, Jesus é fortemente penalizado pelos erros da sua equipa enquanto que Quique Flores voltou a mostrar o quanto equivocado andou durante grande parte da época ao não dar mais tempo de jogo a Cardozo e a Moreira. Tacuara voltou a facturar e a realizar uma estupenda exibição, principalmente na primeira parte onde esteve soberbo. Moreira, pelo seu lado, mostrou aos benfiquistas que é possível um guarda redes defender bolas que vão à baliza. Não sou muito fã do guarda redes benfiquista mas é absurdamente melhor que Quim. Este era um daqueles jogos que eu gostava de ver no início da época, em que dá ao treinador, e adeptos, a possibilidade de constatar certas coisas: Cardozo é um excelente avançado; Moreira é melhor que Quim; Di Maria rende bem a segundo avançado; Amorim no meio dá muito mais segurança e qualidade de jogo; mas ao ser na penultíma jornada deixa um amargo de boca pois pouco ou nada acrescenta à equipa nem sequer para o futuro pois o mesmo é ainda uma grande incognita para metade do plantel e equipa técnica do Benfica.
Não vi os primeiros 10 minutos por isso não apanhei a constituição da equipa mas presumo que David Luiz seria o lateral esquerdo com Ribeiro na ala à sua frente e Reyes da direita. Com a lesão do defesa brasileiro Quique faz entrar Urreta e recuar Ribeiro para lateral. Acabou por ter sorte nessa opção pois Urreta fez um belíssimo jogo com pormenores muito interessantes que mostram que pode ter um futuro risonho, como jovem que é ainda apresenta algumas falhas mas nada que o tempo e treino não resolvam. Ao apanhar o jogo com o Benfica em vantagem e pouco depois ver Di Maria a fazer o segundo golo foi com total paz de espírito que assisti ao jogo centrando, principalmente, nas exibições individuais dos jogadores e, nesse aspecto, Cardozo mais uma vez encheu-me as medidas. E Moreira também, há que dizê-lo. Jogadores que se Quique tem apostado mais neles talvez tivessemos mais uns pontitos do que temos.
Mas apesar de ter sido um jogo descansado ainda tive que soltar uns palavrões porque o árbitro de serviço achou que se a defesa do Braga estava a dar barraca ele tinha que equilibrar as coisas. O amarelo ao Moreira, aos 31 minutos, é uma vergonha. Passamos uma época inteira a ver guarda redes adversários na Luz a fazer um anti jogo deplorável e a levarem, quando levam, amarelo aos 85 minutos e agora Moreira leva um aos 31 minutos? E mais uma vez se demonstra facilidade com que se marcam penaltys contra o Benfica e são expulsos jogadores nossos. É verdade que é penalty de Miguel Vítor mas, lá está, duvido qe o mesmo seria assinalado se o Vítor vestisse um equipamento às riscas verde ou azul, e a expulsão do Yebda é patética. Simplesmente patética. E os amarelos que Reyes tem levado esta época por levar porrada atrás de porrada? E o único fora de jogo que não teve direito a risquinha amarela nas repetições da TV foi aquele em que Cardozo se isolava perante Eduardo. Interessante não é? São arbitragens destas que nos vão castrando os jogadores. Muitas vezes pedimos mais garra e atitude aos nossos jogadores mas depois, no relvado, eles são brindados com arbitragens destas. Levam porrada da grossa e nada acontece aos adversários e depois eles são admoestados com amarelos e vermelhos "por dá cá aquela palha"... É preciso acabar com esta palhaçada, é preciso que os benfiquistas acordem para esta realidade pois são estas coisinhas que acabam com os nossos jogadores e treinadores...
Falta uma jornada. O Benfica tem muitas decisões a tomar nos próximos tempos. Decisões importantes. Que a próxima semana seja calma e que se comece a tratar do futuro do Glorioso após o jogo com o Belenenses.
quinta-feira, maio 14, 2009
Um Olho à Benfica #7
Ai Jesus
Última hora: Recebo a esta hora três telefonemas. Todos eles com a mesma mensagem. Jorge Jesus assinou contrato com o Benfica durante o dia de hoje. O contrato vale ao treinador do Sp.Braga um milhão de euros brutos/ano. Não sei se é verdade. Custa-me a admitir, estamos a três dias do Braga-Benfica. Por outro lado, se for verdade, já começa a ser indiferente.
A contratação de um novo treinador no Benfica, pelo mesmo presidente que contratou Jesualdo Ferreira, Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, de novo Camacho, um bocadinho de Chalana e finalmente Quique Flores, já não é aguardada pelos benfiquistas como um sinal esperançoso de novos tempos, mas sim como demonstração de que o Benfica, actualmente, substituiu os títulos pelos ciclos, a estabilidade pela incerteza.
Por isso, pessoalmente, reajo, como benfiquista, com alguma indiferença a estas notícias sobre a iminente contratação de Jorge Jesus. Em primeiro lugar porque sei que o verdadeiro Jesus de que o Benfica precisava não é o de Braga, mas aqueloutro, que nasceu há mais de 2000 anos, na Galileia. Esse sim, fazia milagres. Este não. É apenas um bom treinador, com boas intenções, mas que não será nem melhor, nem pior do que os outros dezassete que passaram pelo Benfica nos últimos quinze anos.
Em segundo lugar, porque esta contratação devia explicar aos sócios do Benfica que Luís Filipe Vieira continua sem aprender com os erros que foi e continua a cometer. Já fez o mesmo a Fernando Santos, quando o engenheiro era o treinador do Benfica e o presidente do clube passava férias em Espanha com o seu substituto. Não há respeito pelas pessoas, não há o cuidado de os defender na sua dignidade profissional e o Benfica arrisca-se um dia a deixar de ser apelativo a grandes treinadores do circuito mundial. A este respeito gostaria que um dia Camacho pudesse explicar porque é que dificilmente repetiria hoje as férias com Luís Filipe Vieira e revelasse os motivos pelos quais se sentiu impotente para continuar no clube, quando deixou o Benfica no segundo lugar do campeonato e com o Sporting a uma distância confortável. E seria também revelador para os benfiquistas, que Luís Filipe Scolari pudesse explicar-nos porque motivo não aceitou treinar o Benfica, quando recentemente foi convidado pelo presidente do nosso clube.
Há dois meses atrás, a manutenção de Quique Flores se fosse a votos, teria uma indiscutível maioria absoluta. Porém, um ou dois resultados negativos acenderam os alarmes na SAD do Benfica. O presidente e alguns administradores resolveram que essa manutenção do treinador espanhol seria perigosa em ano eleitoral. A partir daí a equipa caiu a pique, completamente desgovernada e sem um único sinal de recuperação. Durante dois meses, com o patrocínio dos directores do Benfica – à excepção de Rui Costa, imediatamente isolado nas reuniões do Conselho de Administração da SAD – o jornal A BOLA, abriu as hostilidades. Desde essa altura, todos acham que têm direito a acrescentar um prego no caixão de Quique. As primeiras páginas desse jornal desportivo foram-se tornando mais agressivas, alguns textos de opinião foram reflectindo a imagem que a SAD pretendia construir nos sócios, preparando-os para uma nova sucessão, um vice-presidente do clube ataca o treinador em directo, na SIC, o presidente e o director-desportivo escapam-se para Inglaterra, deixando a equipa, o treinador e mais uns quantos funcionários entregues a si próprios e no final dessa semana, após o empate com o Trofense, confirma-se, sem um pudico estremecimento interior, a notícia de que Di Maria se tinha revoltado no balneário contra o treinador.
Durante dois meses foi um pagode autêntico, uma espécie de fogo-de-artifício que foi rebentando com a autoridade de Quique no balneário e com a auto-estima dos adeptos. Do director de comunicação, da Benfica TV, do jornal do Benfica, da revista Mística, do site do clube, do director-desportivo e finalmente da direcção, nem um único sinal de que o treinador seria defendido. Como nunca foi. E agora, chegámos ao cúmulo desta cínica decisão de afastar Quique Flores. Ainda não terminou o campeonato e já todos sabemos quem vai substitui-lo. E por curiosidade, ou não, será o treinador do próximo adversário do Benfica no campeonato. E será caso para perguntar, aos ideólogos desta decisão de substituir Quique por Jesus, de que lado estarão no próximo fim-de-semana? Do lado do Benfica e ajudar a que o actual treinador e equipa de futebol possam sair do campeonato com dignidade, ou estarão do lado de Jesus, como demonstração final de que tinham razão?
É tudo isto que incomoda no Benfica actual. É verdade que o designado “sistema” não favorece o Benfica e pelo contrário afunda o clube numa doentia e irreprimível perseguição ao ouro, mas há outro sistema que prejudica a hipótese do clube se recuperar. Um sistema que destrói jogadores, treinadores e até directores-desportivos. Um sistema auto-fágico, que se alimenta de indecisões, instabilidade e pânico pelos resultados. Um sistema que apenas vive o Benfica em função de uma estratégia de sobrevivência no poder e não de um desejo construtivo de refundar o clube e as suas fundações mais visíveis.
Este é o problema do Benfica e dos benfiquistas em relação a estes sistemas. Acabar com o segundo para destruir o primeiro. De outro modo, lá está, o Jesus que o Benfica precisa é o da Galileia, não é o do Braga.
PS: Meu caro Alegre sempre. A sua escrita encanta-me, as suas questões perseguem-me e as suas dúvidas assaltam-me. Perguntará,”então porque é que não me responde?” Não tem a ver com discriminação, tem a ver com oportunidade. Pressinto na sua escrita um benfiquismo profundo que respeito. E de resto, é um contribuinte líquido de um cativante amor à camisola. Considero-o muito mais do que possa imaginar através das minhas respostas ou dos meus silêncios. Gosto do seu benfiquismo e por nada deste mundo desperdiçaria as suas ideias neste blogue. E no meio da tristeza que nos atinge, um alegre e ainda para mais sempre, é um raio de luz ao fundo do túnel.
Última hora: Recebo a esta hora três telefonemas. Todos eles com a mesma mensagem. Jorge Jesus assinou contrato com o Benfica durante o dia de hoje. O contrato vale ao treinador do Sp.Braga um milhão de euros brutos/ano. Não sei se é verdade. Custa-me a admitir, estamos a três dias do Braga-Benfica. Por outro lado, se for verdade, já começa a ser indiferente.
A contratação de um novo treinador no Benfica, pelo mesmo presidente que contratou Jesualdo Ferreira, Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, de novo Camacho, um bocadinho de Chalana e finalmente Quique Flores, já não é aguardada pelos benfiquistas como um sinal esperançoso de novos tempos, mas sim como demonstração de que o Benfica, actualmente, substituiu os títulos pelos ciclos, a estabilidade pela incerteza.
Por isso, pessoalmente, reajo, como benfiquista, com alguma indiferença a estas notícias sobre a iminente contratação de Jorge Jesus. Em primeiro lugar porque sei que o verdadeiro Jesus de que o Benfica precisava não é o de Braga, mas aqueloutro, que nasceu há mais de 2000 anos, na Galileia. Esse sim, fazia milagres. Este não. É apenas um bom treinador, com boas intenções, mas que não será nem melhor, nem pior do que os outros dezassete que passaram pelo Benfica nos últimos quinze anos.
Em segundo lugar, porque esta contratação devia explicar aos sócios do Benfica que Luís Filipe Vieira continua sem aprender com os erros que foi e continua a cometer. Já fez o mesmo a Fernando Santos, quando o engenheiro era o treinador do Benfica e o presidente do clube passava férias em Espanha com o seu substituto. Não há respeito pelas pessoas, não há o cuidado de os defender na sua dignidade profissional e o Benfica arrisca-se um dia a deixar de ser apelativo a grandes treinadores do circuito mundial. A este respeito gostaria que um dia Camacho pudesse explicar porque é que dificilmente repetiria hoje as férias com Luís Filipe Vieira e revelasse os motivos pelos quais se sentiu impotente para continuar no clube, quando deixou o Benfica no segundo lugar do campeonato e com o Sporting a uma distância confortável. E seria também revelador para os benfiquistas, que Luís Filipe Scolari pudesse explicar-nos porque motivo não aceitou treinar o Benfica, quando recentemente foi convidado pelo presidente do nosso clube.
Há dois meses atrás, a manutenção de Quique Flores se fosse a votos, teria uma indiscutível maioria absoluta. Porém, um ou dois resultados negativos acenderam os alarmes na SAD do Benfica. O presidente e alguns administradores resolveram que essa manutenção do treinador espanhol seria perigosa em ano eleitoral. A partir daí a equipa caiu a pique, completamente desgovernada e sem um único sinal de recuperação. Durante dois meses, com o patrocínio dos directores do Benfica – à excepção de Rui Costa, imediatamente isolado nas reuniões do Conselho de Administração da SAD – o jornal A BOLA, abriu as hostilidades. Desde essa altura, todos acham que têm direito a acrescentar um prego no caixão de Quique. As primeiras páginas desse jornal desportivo foram-se tornando mais agressivas, alguns textos de opinião foram reflectindo a imagem que a SAD pretendia construir nos sócios, preparando-os para uma nova sucessão, um vice-presidente do clube ataca o treinador em directo, na SIC, o presidente e o director-desportivo escapam-se para Inglaterra, deixando a equipa, o treinador e mais uns quantos funcionários entregues a si próprios e no final dessa semana, após o empate com o Trofense, confirma-se, sem um pudico estremecimento interior, a notícia de que Di Maria se tinha revoltado no balneário contra o treinador.
Durante dois meses foi um pagode autêntico, uma espécie de fogo-de-artifício que foi rebentando com a autoridade de Quique no balneário e com a auto-estima dos adeptos. Do director de comunicação, da Benfica TV, do jornal do Benfica, da revista Mística, do site do clube, do director-desportivo e finalmente da direcção, nem um único sinal de que o treinador seria defendido. Como nunca foi. E agora, chegámos ao cúmulo desta cínica decisão de afastar Quique Flores. Ainda não terminou o campeonato e já todos sabemos quem vai substitui-lo. E por curiosidade, ou não, será o treinador do próximo adversário do Benfica no campeonato. E será caso para perguntar, aos ideólogos desta decisão de substituir Quique por Jesus, de que lado estarão no próximo fim-de-semana? Do lado do Benfica e ajudar a que o actual treinador e equipa de futebol possam sair do campeonato com dignidade, ou estarão do lado de Jesus, como demonstração final de que tinham razão?
É tudo isto que incomoda no Benfica actual. É verdade que o designado “sistema” não favorece o Benfica e pelo contrário afunda o clube numa doentia e irreprimível perseguição ao ouro, mas há outro sistema que prejudica a hipótese do clube se recuperar. Um sistema que destrói jogadores, treinadores e até directores-desportivos. Um sistema auto-fágico, que se alimenta de indecisões, instabilidade e pânico pelos resultados. Um sistema que apenas vive o Benfica em função de uma estratégia de sobrevivência no poder e não de um desejo construtivo de refundar o clube e as suas fundações mais visíveis.
Este é o problema do Benfica e dos benfiquistas em relação a estes sistemas. Acabar com o segundo para destruir o primeiro. De outro modo, lá está, o Jesus que o Benfica precisa é o da Galileia, não é o do Braga.
PS: Meu caro Alegre sempre. A sua escrita encanta-me, as suas questões perseguem-me e as suas dúvidas assaltam-me. Perguntará,”então porque é que não me responde?” Não tem a ver com discriminação, tem a ver com oportunidade. Pressinto na sua escrita um benfiquismo profundo que respeito. E de resto, é um contribuinte líquido de um cativante amor à camisola. Considero-o muito mais do que possa imaginar através das minhas respostas ou dos meus silêncios. Gosto do seu benfiquismo e por nada deste mundo desperdiçaria as suas ideias neste blogue. E no meio da tristeza que nos atinge, um alegre e ainda para mais sempre, é um raio de luz ao fundo do túnel.
Inter e o Sistema
Ninguem tem dúvidas que o FC Internazional é a equipa mais forte de Itália. É campeão indiscutível e vai sê-lo novamente. O domínio em Itália tem sido esmagador sendo que a aposta seguinte do clube é para conquistar a Liga dos Campeões.
Mas, se a memória não for curta, todos se lembram que não foi sempre assim. O Inter, até à pouco tempo, era gozado por ser um cemitério de treinadores, era ridicularizado por gastar milhões em jogadores e salários absurdos e depois nada conquistar. Investia na equipa e depois acabava por morrer na praia. Os jogadores, treinadores e dirigentes eram gozados e criticados. Até que aconteceu algo que mudou tudo isto. O Inter passou a contratar jogadores diferentes? Não. Os treinadores foram inovadores? Nem por isso. Os dirigentes mudaram de postura? Acho que não. Então o que mudou? A resposta todos sabem: Calciocaos. Os rivais do Inter foram apanhados nas malhas da Justiça italiana, foram penalizados duramente pelas suas infracções e o poder que tinham no futebol italiano caíu pelo cano abaixo. E o Inter cresceu. E o Inter venceu. E agora o Inter é o mais forte clube italiano e os outros não conseguem acompanhar.
Capice?
Mas, se a memória não for curta, todos se lembram que não foi sempre assim. O Inter, até à pouco tempo, era gozado por ser um cemitério de treinadores, era ridicularizado por gastar milhões em jogadores e salários absurdos e depois nada conquistar. Investia na equipa e depois acabava por morrer na praia. Os jogadores, treinadores e dirigentes eram gozados e criticados. Até que aconteceu algo que mudou tudo isto. O Inter passou a contratar jogadores diferentes? Não. Os treinadores foram inovadores? Nem por isso. Os dirigentes mudaram de postura? Acho que não. Então o que mudou? A resposta todos sabem: Calciocaos. Os rivais do Inter foram apanhados nas malhas da Justiça italiana, foram penalizados duramente pelas suas infracções e o poder que tinham no futebol italiano caíu pelo cano abaixo. E o Inter cresceu. E o Inter venceu. E agora o Inter é o mais forte clube italiano e os outros não conseguem acompanhar.
Capice?
terça-feira, maio 12, 2009
Dança de treinadores
As conversas centram-se em duas caras: Jorge Jesus e Scolari. Opções bem diferentes uma da outra. O português oferece qualidade técnica, conhecimento do campeonato português e da grandeza do clube; o brasileiro oferece liderança inequívoca e respeito por parte dos jogadores. Uma mescla dos dois seria perfeita. Mas ainda não há confirmação oficial da saída de Quique, há quem defenda a aposta na continuidade, no fim desta dança, mantendo Quique e dando-lhe o apoio necessário. E, como sempre que se fala de algo para o Glorioso, mais nomes irão surgir nem que não seja pelos contactos de Rui Costa em Itália.
E com duas jornadas para este penoso campeonato terminar o Benfica está, novamente, envolvido na novela dos treinadores e com eleições em Outubro muito está em jogo nesta decisão.
segunda-feira, maio 11, 2009
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