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segunda-feira, maio 16, 2016

Vitória de Vitória


O Grande vencedor da época: Rui Vitória.

Chegar a um SL Benfica bi campeão para substituir o treinador que mais boa imprensa tem, ter que suportar os ataques mais baixos e as críticas mais injustas, ter que gerir um plantel com muito menos investimento do que nos anos anteriores, ter de encontrar soluções para a vaga de lesões que a equipa sofreu em jogadores fundamentais e responder a tudo sempre com um discurso honesto, humilde, pacífico, sem nunca se queixar, sem nunca abdicar de nada, apostando sem medos nos jovens e mantendo até ao fim as suas convicções. Recuperar o Benfica vencedor, quebrar recordes atrás de recordes, dar à equipa o melhor Jonas e o melhor Pizzi de sempre, potencializar um puto de 18 anos que começa a época na equipa B e acaba no colosso Bayern por 35 milhões. Seria sempre o grande vencedor da temporada. Ao conquistar o campeonato arrasa, por completo, qualquer concorrência. Rui Vitória é o responsável pelo tri campeão nacional, pela melhor equipa, pelo melhor futebol, pelo melhor ataque, pelo melhor marcador. E sempre com elevação.

Não mudo a opinião. Rui Vitória não era uma das opções que defendia para o Glorioso mas, desde o primeiro dia, que defendi que tinha que ter margem de manobra, tempo e espaço para apresentar trabalho. Nunca pactuei com as críticas injustas e infundadas de que foi alvo, críticas essas que eram elogios encapotados a Jorge Jesus. Críticas aos cruzamentos que a equipa de Vitória usava e abusava em contraste com o futebol colectivo e demolidor do segundo classificado. Mas a realidade era que o SLB não usava e abusava dos cruzamentos e o futebol do segundo classificado era tudo menos demolidor e, inclusivê, marcavam muitos golos via cruzamentos. Era a debilidade defensiva da equipa sempre apanhada em contra pé em contraste com a muralha defensiva de Alvalade quando na realidade os adversários do Glorioso tinham uma ou duas oportunidades por jogo enquanto que a tal muralha era facilmente ultrapassada valendo um super Patrício que salvou a equipa vezes sem conta. Foi um ano inteiro disto. E acabou como tinha de acabar, com a vitória de Vitória contra tudo isto. Totalmente merecido.

Ali em meados de Outubro/Novembro alguém me perguntou se o SL Benfica estava melhor ou pior do que no passado recente a que eu respondi "melhor". Mais uma vez fui "atacado" por não ir na onda da bajulação ao Catedrático. Rui Vitória não é o melhor treinador do mundo e, sinceramente, não sei se é o treinador que o Benfica precisa para ter sucesso continuado. Padece de alguns problemas como o seu antecessor: o modelo de jogo é demasiado vulnerável no meio campo enfrentando dificuldades sempre que o adversário tem bons jogadores naquela zona do terreno, demonstrou, algumas vezes, a mesma dificuldade na transição defesa/ataque com uma troca de bola lateral sem capacidade de penetração na defesa adversária e manteve a dependência excessiva da inspiração dos jogadores mais influentes. Estes problemas do passado Rui Vitória não conseguiu resolver mas conseguiu melhorar outros aspectos: Rui Vitória mostrou capacidade de intervenção no decorrer dos jogos, quase sempre que mexia na equipa alterava para melhor o jogo do Benfica; Rui Vitória foi capaz de encontrar soluções internas de qualidade para os problemas de gestão de plantel que teve de enfrentar durante a época; Rui Vitória foi capaz de apostar e potenciar em jovens desconhecidos; Rui Vitória não abdicou de qualquer competição e lutou, olhos nos olhos, com todos os adversários com que jogou; Rui Vitória venceu o jogo que tinha de vencer, não claudicou no momento chave do campeonato, não cedeu à pressão. Tudo isto foi/é uma melhor assinalável em relação ao passado recente. E, se a tudo isto, juntarmos uma honestidade e benfiquismo ímpar é óbvio que o SL Benfica está melhor do que estava no passado.

Esta vitória é do Vitória e ele, como grande homem que é, dá-nos a vitória de bom grado.


7 comentários:

André Leal disse...

Concordo com quase tudo menos com algumas críticas ao RV. Acho que a questão do Meio campo se deveu principalmente às lesões (Fejsa), imaturidades pontuais (Renato e Talisca) e variações bruscas de forma (Pizzi e Samaris) e menos ao RV.
No princípio da época quando não tínhamos Fejsa e Renato perdemos os jogos grandes todos (exceto em Madrid), mas a partir de janeiro, já com a equipa toda apesar das condicionantes referidas, só perdemos contra o Porto e o Bayern, ganhando ao Sporting, 2 vezes ao Zenit e empatando em casa com o Bayern.

Peter ar disse...

Muito bem! É um treinador à Benfica. Parece mole à primeira vista, mas respira confiança e é fiel aos seus princípios. Já é mais um grande Rui na historia gloriosa. Porra, não consigo parar de sorrir. Obrigado SLB!

Anónimo disse...

Sei de fonte segura que o Sporting está a preparar-lhe uma proposta milionária. Por aquelas bandas, só querem treinadores campeões.
O. F.

Nau disse...

Grande Rui Vitória!
Grande equipa técnica!
Grandes atletas!
Grande estrutura!
Grande presidente!
Obrigado a todos pela alegria que me deram.

Duas palavras para aqueles que no início da época (aqueles que em todos os inícios de época, afinal) disseram/dizem cobras e lagartos do presidente, da estrutura (que existe mesmo, ou ainda há dúvidas?), das estratégias, do treinador, dos atletas...
Este campeonato foi fruto da união (a partir do momento em que ela aconteceu). Somos muitos. E se nos unirmos, estaremos mais perto do sucesso e das alegrias, porque muito dificilmente nos vencerão.
Os benfiquistas que ainda não são sócios (e que tenham possibilidades económicas para sê-lo, atenção!) estão à espera de quê? Se formos ainda mais, poderemos manter mais tempo as joias da nossa formação e constituir plantéis mais competitivos, no sentido de não darmos hipóteses aos rivais internos e de nos afirmarmos na Europa.


Ricardo Fernandes disse...

Bom post Pedro, mas não concordo com o melhor futebol. Tivemos a espaços bom futebol, excelente futebol. Os outros tiveram mais processos e mais definição, mesmo nos jogos substanciais foram claramente superiores ao adversário, pecando nos intervenientes de jogo que são piores com os nossos. Mas já tive oportunidade de o escrever em vários lados, esse é para o lado que durmo melhor. Fomos mais constantes, mesmo nos jogos piores e um campeonato é um método onde se define o mais regular e não a melhor nota artística.

Visita o meu blog se puderes.

Pedro disse...

Acho que tivemos momentos de futebol fantástico. E, no geral, acho que tivemos mais momentos desses do que os rivais. Esta recta final foi sofrida por ter sido com vantagens mínimas e os adeptos, por causa da emoção, tendem a achar que se jogou mal quando nada disso aconteceu. Tirando Guimarães (acho) nos outros jogos o SLB jogou bem e fez mais do que o suficiente para ganhar confortavelmente. A sacana da bola é que não quis entrar.

Ricardo Fernandes disse...

Não concordo, mas é por isso que o futebol é bonito.

Tendo em conta a qualidade individual dos nossos jogadores, podias e devias ter feito melhor. Aliás Rui Vitória, insistiu várias vezes no vértice defensivo de dois homens colados aos defesas. Coisa que Renato Sanchez nunca soube fazer. Nesta reta final voltaste a ter isso constantemente. Primeiras partes com os médios colados à defesa, segundas partes a avançares no terreno.

Mais faltava que com a nossa qualidade nunca tivesses sido superior aos adversários. Aliás, não foste com adversários de maior qualidade. Caso do Sporting (que até tem individualmente piores jogadores).

No fundo há que dar mérito ao treinador, por saber construir de trás para a frente, mas falta construir a frente e não sobreviver só há custa do brilhantismo anárquico dos nossos jogadores.