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quarta-feira, novembro 12, 2008

Chute forte #6 - Houve taça!

Fim-de-semana de taça.

O Benfica tinha um jogo que podia ser complicado: o Desportivo das Aves é uma das revelações da Liga Vitalis e conta no seu plantel com algumas das maiores promessas do futebol português das últimas décadas, os jovens Romeu Ribeiro e Ruben Lima que, por uma estranha coincidência, pertencem aos quadros do nosso Glorioso Sport Lisboa. Já Sporting e Porto foram bafejados pela sorte no sorteio e defrontaram adversários acessíveis, patéticos e cujos adeptos têm QIs muito abaixo da média, feições aterradoras e exalam um fedor fétido.

Surpreendentemente, um deles foi eliminado... mas disso falaremos mais tarde.

Primeiro, o nosso Benfica!

O jogo adivinhava-se complicado e, por isso, o nosso sagaz treinador resolveu aplicar uma estratégia arriscada e desconcertante: marcar 3 golos ainda na primeira parte e depois passar o resto do jogo a desperdiçar oportunidades fáceis! Com esta aproximação revolucionária, Quique Flores esperava confundir o Aves e o seu treinador mas, principalmente, os comentadores da TVI que, depois da derrota europeia, vinham preparados para começar a demolir a equipa desde cedo. A equipa pôs em prática as instrucções do seu treinador e, à meia hora, já ganhávamos por 3-0 e passámos, de facto, o resto do jogo a desperdiçar oportunidades fáceis.

O treinador do Aves foi completamente surpreendido pela audácia de Quique Flores e não foi capaz de dar a cambalhota táctica que lhe permitiria passar a eliminatória, mesmo perdendo 3-0 e passando o jogo todo a ver o adversário desperdiçar oportunidades fáceis. Já João Querido Manha e o seu amigo jornalista tiveram de dar eles próprios uma cambalhota do caraças e foram forçados a guardar o arsenal de críticas ao Benfica e aos seus jogadores com que vinham munidos e resignar-se a passar o resto do jogo de mão dada a relembrar que o Maxi Pereira (provavelmente o melhor em campo) não era um verdadeiro lateral direito e que o Binya falha muitos passes. Só consigo recordar um momento de verdadeira emoção, quando o Aimar pareceu coxear após uma entrada mais empenhada de um adversário e o comentador da TVI gritou, entusiasmado: "Pablo Aimar já está com problemas musculares! Pablo Aimar já está com problemas musculares" - sublinho o "já" - enquanto apertava a mão do seu Querido Manha com muita força, para depois não conseguir esconder a desilusão, quando o Argentino agarrou na bola e arrancou pelo meio dos adversários, em velocidade, pela enésima vez.

Seja como for, Vitória, eliminatória resolvida, venha o próximo! Não sou grande perito em futebol, mas parece-me que esta estratégia de marcar 3 golos antes da meia hora de jogo e passar o resto do tempo a desperdiçar oportunidades fáceis é capaz de ser útil noutras partidas. Mas deixo as questões tácticas ao Quique, que sabe bem o que faz!

A grande surpresa deste fim de semana de taça, acabou por acontecer no jogo do Sporting. Recebendo em sua casa um adversário que à partida poderia ser considerado acessível (2 derrotas nos últimos 2 jogos para o campeonato), os leões não foram capazes de seguir em frente. Após marcarem ainda na primeira parte, encararam o resto do jogo com alguma sobranceria e acabaram por ser surpreendidos num lance de contra ataque, no que foi uma demonstração cabal e bastante gráfica dos malefícios da picanha. Creio que o Chimarrão tem ali matéria de facto suficiente para processar o Rochemback por difamação! Nenhuma das equipas conseguiu facturar no prolongamento e o Sporting acabou derrotado na lotaria dos penalties, após uma grande exibição de Rui Patrício, que conseguiu sempre sair do meio da baliza antes que a bola lhe acertasse, graças à sua agilidade felina, reflexos portentosos e timing perfeito.

O Porto também sentiu muito mais dificuldades do que estava à espera. A equipa não entrou bem no jogo e sofreu um golo ainda na primeira parte inteiramente justificado, diga-se, pelo adversário. Na segunda parte o Golias acabou por conseguir dar a volta à situação e chegou ao empate num contra-ataque a uma velocidade moderadíssima, lançado por Hulk, conduzido por Hulk e finalizado por Hulk, bem na linha a que Hulk nos vem habituando. Nos penalties, os conselhos de Hulk não foram seguidos e, por isso, Hulk não pôde marcá-los todos. Naturalmente Lucho falhou, mas o Porto acabou por conseguir passar a eliminatória. Um grande susto para os campeões nacionais, que parecem longe da forma de outras épocas em que o seu futebol tinha um aroma muito mais... frutado!

Não posso deixar de referir uma coisa importante: tanto Porto como Sporting foram vergonhosamente espoliados pela arbitragem! No jogo do Sporting, há 2 penalties por assinalar! Um deles claríssimo, num lance em que o defesa adversário, deitado no chão, dentro da grande área, resolve espreguiçar-se e intercepta com a mão um cruzamento perigoso! Isto para não falar no lance em que Caneira é expulso com 2º amarelo, quando devia ter sido com vermelho directo! Escandaloso!

E o Porto não foi menos prejudicado, no seu jogo: 2 penalties por assinalar, sendo que um deles, em que o guarda redes adversário toma o trejeito de anca do Hulk na tentativa de dominar a bola por um convite e o abalroa pelas costas à bruta e sem um mínimo de preliminares, é particularmente escandaloso! Até parece que já não há homens sensíveis em Portugal!

Eu, como Benfiquista, tenho de ficar indgnado! Quero ser melhor que os nossos adversários dentro do campo, não quero que sejam eliminados das competições por acção do árbitro, como aconteceu com o Sporting e ia acontecendo com o Porto! Ainda por cima, quando isso acontece contra clubes com adeptos tão merecedores da nossa caridadezinha!

Há que mudar alguma coisa na arbitragem nacional!

quinta-feira, outubro 16, 2008

Chute forte #5 - Selecção para leigos

É difícil assinar uma coluna semanal sobre futebol, com a reconhecida falta de qualidade do "Chute Forte", quando a porcaria do campeonato se limita a alternar pausas para descanso com interrupções para as selecções, salpicadas pela ocasional jornada de taça. Um gajo como eu, que não está atento ao fenómeno das selecções, fica sem tema para escrever, nem assunto para comentar.

Ontem, quando me dedicava a mais uma épica demanda pelo Canal Benfica, num zapping desenfreado (eu não tenho Meo, mas isso não me impede de alimentar uma esperança doentia de que, por algum engano técnico inexplicável, tropece no Canal Benfica, mesmo sabendo que ele não existe na ZON), deparei-me com a notícia de que o jogo Portugal-Albânia tinha terminado empatado e achei que era uma boa ideia abrir uma excepção e comentar a selecção.

Antes de começar, quero deixar uma coisa bem clara, que é com certeza evidente para qualquer pessoa que já tenha lido alguma coisa que eu tenha debitado aqui: eu não percebo nada de bola! Ou seja, não sei ler um balancete, os relatórios de contas de uma sociedade anónima para mim são tão crípticos e incompreensíveis como uma versão cifrada com chave pública, da bíblia original em aramaico, não sei distinguir uma transição ofensiva de uma beterraba, nem muito menos perceber o que é um colectivo bem afinado a fazer pressão alta e o que é um colectivo bem afinado a fazer natação sincronizada.

Ao contrário da generalidade dos adeptos de futebol moderno, peritos em técnica, táctica e alta finança, quando estou a ver um jogo do Benfica e o Quique faz uma substituição, eu só consigo apreender as consequências desse gesto, quando o próprio Quique me explica, na conferência de imprensa depois do jogo. Aliás, estou perfeitamente convencido que ele só é tão pedagógico nas suas conferências de imprensa pós-jogo, porque sabe que, se não fosse, eu e o Paulo Bento - que, verdade seja dita, pelo menos sabe de estatística - íamos passar a vida a telefonar-lhe a horas impróprias, para tentar aprender alguma coisa sobre futebol.

E é por esta falta de capacidade para dominar os mistérios arcanos do futebol, aliada à minha proverbial falta de interesse pela equipa das quinas, que nestes últimos anos o meu conhecimento dos feitos da selecção nacional se tem processado sempre por interposta pessoa.

A sorte é que tenho tido oportunidade de conviver com grandes peritos de futebol, que me vão explicando as coisas devagarinho e com exemplos ilustrados. Não fosse isso, e a minha ingenuidade ter-me-ia levado a acreditar nas coisas mais parvas que se possam imaginar. Por exemplo, eu considerava - estupidamente - que a única forma de avaliar a qualidade do trabalho de um seleccionador, eram os resultados.

Imagine-se, os resultados! Por isso é que eu considerava - benzam-se - o Scolari um dos melhores seleccionadores de sempre. Que estúpido que eu era!

Já diz o povo que se te juntares aos bons, te tornarás um deles. E o convívio com os bons tem-me ensinado muita coisa sobre o futebol em geral e a selecção em particular.

Ficam aqui alguns exemplos do que fui aprendendo.

- Então diz-me lá, este Scolari é bom ou não?
- Não presta para nada!
- Mas o gajo não acabou de chegar?
- Mas não convocou o Víctor Baía!

Um dos meus erros mais primordiais foi não conseguir perceber aquilo que, provavelmente, é óbvio para toda a gente que sabe de bola: mais de 50% da qualidade de um seleccionador pode aferir-se directamente a partir das suas convocatórias. Há que convocar os jogadores que toda a gente sabe que são os melhores e colocá-los a jogar, independentemente de tudo o resto. A imprensa é o melhor amigo do seleccionador indeciso! Não sabes quem convocar? Lê o jornal! Scolari condenou-se logo à partida, quando excluiu o melhor guarda-redes do planeta e arredores das suas convocatórias. Claro que, como se esperava, a selecção nacional, que não tinha sofrido um único golo desde que o fabuloso Baía tinha tomado conta da baliza, passou a sofrer golos de vez em quando.

- Ah, Portugal na final do Euro... quem diria? Agora já deves gostar mais do Scolari, não?
- Não presta para nada!
- Mas, mas... então, mas Portugal foi até à final do Euro...
- Pfff, com aquela equipa, qualquer um conseguia!

Outra das coisas importantes que aprendi, foi que no futebol de selecções, os resultados positivos são da exclusiva responsabilidade dos jogadores! Ao seleccionador cabe o demérito pelos resultados negativos, ou o mérito de não ter o demérito, caso todos os resultados sejam positivos.

- Apuradinhos para o mundial, sem ter de andar a fazer continhas. Ganda Scolari... não?
- O grupo era muito fácil. Até a minha mãe se apurava!

Adenda ao ponto anterior: quando os resultados estão ao nível do que se esperava, o mérito também pode ser da conjuntura. O essencial é ter bem presente que o seleccionador só lá está para os momentos difícieis.

- 4º lugar no mundia! Só os magrinhos é que fizeram melhor! Viva o Scolari... ?
- Magriços, seu imbecil, magriços! E só ficámos em 4º porque tivemos sorte! Porque o Scolari só fez asneiras! Os adversários eram uns fracos e tínhamos obrigação de trazer a taça, porque somos os melhores do mundo! Temos os melhores jogadores do planeta para todas as posições, excepto a baliza! E isso, só porque o Scolari não convocou o Baía!

Outra coisa que aprendi, é que Portugal tem os melhores jogadores do mundo de há alguns anos a esta parte. O papel fudnamental de um seleccionador é, nesta situação, não atrapalhar e deixar os jogadores conquistarem os títulos que lhes são devidos com o seu talento colossal.

- Bom, o Scolari vai embora. Devemos estar contentes, não é?
- Contentes? Esse ingrato vai embora depois de tudo o que fizemos por ele? E o timing? Vai é fugir, agora que começam as competições a doer! Depois desta saída, o gajo devia era ter vergonha na cara e nunca mais pôr um pé neste país! Ao menos agora vai-se ver a merda que o gajo é no Chelsea! Se não descer de divisão, já está com sorte!
- Isso, isso! Era isso que eu queria dizer...

A máxima final: quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Nesta altura, depois de todo o prejuízo que Scolari causou à selecção, é óbvio que nada do que possa fazer se pode considerar acertado, nem sequer ir embora!

Ontem, depois do empate com a Albânia - que eu consegui perceber, sem ajuda, que não foi um resultado tão bom como isso - voltei a falar com o meu mestre, sedento de mais conhecimento, agora que o Scolari já se pirou.

- Então e ontem, o empate com a Albânia? 5 pontos em 12 possíveis? Volta Scolari, estás perdoado?
- Nem pensar! O Queiroz é um grande seleccionador, com um grande currículo! 2 campeonatos do mundo de juniores, conquistados nem há 20 anos! Não é como o Scolari que praticamente não ganhou nada! Ontem estávamos a jogar contra uma das melhores selecções do planeta a jogar à defesa, quando reduzida a 10 jogadores! E tivemos muito azar! Não há nada que o Queiroz pudesse ter feito diferente. Com o Scolari, ainda perdíamos o jogo! Aliás, o problema é a selecção que o Queiroz teve de herdar, por causa da incompetência do Scolari!

...

...

Já não percebo nada!

quarta-feira, setembro 03, 2008

chute forte #4 - Com lealdade

O Luisão levou um sumaríssimo e não pode jogar contra o Sporting!

Para quem está esquecido, um sumaríssimo é um adjectivo no grau superlativo absoluto sintético e uma das melhores escolhas para quem está a tentar fazer uma rima com Eurico Veríssimo. Mas isso não interessa para este post. Também é, e isso já interessa, uma figura jurídica que o Conselho Disciplinar da Liga utiliza para punir os jogadores do Benfica, quando estes cometem infracções do foro disciplinar que não são sancionadas pelo árbitro, ou quando há uma grande vontade colectiva de punir um jogador do Benfica.

Antes deste sumaríssimo a Luisão, o Derlei, na altura jogador do Benfica, tinha sido o último jogador a ser premiado. Antes dele, não me recordo com exactidão, mas julgo que tenha sido o nosso saudoso Pitbull o eleito.

E porque é que o Conselho Disciplinar da Liga pune os jogadores do Benfica?

Porque, ao contrário do que acontece com os jogadores de outros clubes, os jogadores do Benfica não têm uma pinga de lealdade a correr-lhes nas veias! E como não são leais, não podem dar cotoveladas na tromba dos adversários impunemente. Já os jogadores de outros clubes, como por exemplo o fc porto, ou o sporting, para usar dois exemplos completamente escolhidos ao acaso, são exemplos de lealdade e, por isso, podem podem dar cotoveladas, pisar, cuspir, ou agredir seja de que maneira for, sem sofrer qualquer sanção disciplinar.

E, caso não saibam, a lealdade é uma qualidade que o clube transmite ao jogador!

Vejamos um exemplo prático.

O Derlei foi, durante alguns anos, jogador do porto. Desde os seus tempos de criança que o Wanderlei, como a mãe carinhosamente lhe chamava, demonstrou um grande sentido de humor e uma especial apetência pela brincadeira. Não espantou, por isso, que durante o período que passou no porto, tivesse dado cotoveladas, cabeçadas, pisadelas, golpes de karaté e até cuspidelas nos adversários. Às vezes até o fazia simultaneamente, o que não é nada fácil. Até lhe chamavam o Ninja! Mas tudo isto era feito com toda a lealdade! Nunca o Derlei agrediu sem bola um adversário de forma desleal, durante os anos que esteve no porto! Naturalmente, nunca o Derlei foi sujeito a qualquer sanção, porque a lealdade é um valor que interessa preservar! Aliás, a forma vigorosa e determinada como o Conselho de Disciplina da Liga não tomou absolutamente nenhuma acção em relação ao Derlei, mereceu uma ovação de pé de todos os que acompanham de perto o fenómeno desportivo nacional.

Depois o Derlei veio para o Benfica e deixou de ter lealdade. Não há unanimidade entre os cientistas sobre as razões que levam a que um traço de carácter desapareça assim, num piscar de olhos, quando um jogador muda de clube. Há quem diga que é dos ares, outros defendem que é da qualidade da água. Mas o que interessa é que acontece! E, por isso, à primeira cotovelada que espetou na tromba de um adversário, o Derlei não escapou ao sumaríssimo devido. É que sem lealdade, não vale! Aliás, a forma vigorosa e determinada como o Conselho de Disciplina da Liga puniu o infractor, mereceu uma ovação de pé de todos os que acompanham de perto o fenómeno desportivo nacional.

Agora o Derlei é jogador do sporting que é, como se sabe, o supra sumo da lealdade. Nem a Lassie é tão leal como o sporting e o Wanderlei, como a Lassie carinhosamente lhe chama, já sente esse lealdade a correr-lhe nas veias! Por isso, assim que o Derlei der uma cotovelada, uma cabeçada, uma pisadela, um golpe de karaté, ou uma cuspidela num adversário, pode esperar uma ovação emocionada de todos os amantes do desporto em Portugal. E ainda mais, se o fizer em simultâneo, porque não é nada fácil! Mas dizem que ele consegue e até lhe chamavam o Ninja! E a história passada permite-me acreditar que o Conselho de Justiça da Liga vai, de forma vigorosa e determinada, fazer absolutamente nada! Porque a lealdade é um traço de carácter que vale a pena preservar no desporto, mesmo que desapareça e reapareça, de forma inexplicável para os cientistas, à medida que os jogadores mudam de clube.

Eu acho que é da qualidade da água!

Cospe-lhes em cima, Bruno! Mete-lhe uma costela dentro, Wanderlei! Tu aí, de 3 metros de altura e equipamento vermelho, vais passar 2 jogos em casa que te lixas, que isto não é para andar a dar cotoveladas nos adversários... sem lealdade!

quinta-feira, agosto 28, 2008

chute forte #3 - A mecânica da coisa

Escrever para um blog com o prestígio do Mágico SLB não é tarefa fácil. O compromisso de colocar um post semanal é particularmente difícil de cumprir nestas alturas em que o nosso glorioso SLB nos falha. Ter de esmiuçar o jogo e reviver a tragédia é, como compreenderão, é um processo muito doloroso.

Em casa, a tentar escrever este post, penso na bola na trave do Yebda e fico nauseado. Revejo o falhanço do Aimar e tenho dificuldades em respirar. Os 2 pontos perdidos provocam-me uma uma pressão no peito. O penalty por assinalar provoca-me uma comoção intestinal considerável.

De lágrimas nos olhos, percebo que é inútil. Nunca vou conseguir escrever nada neste estado! O sofrimento é demasiado! Estamos a falar do Benfica, porra!

Resolvo recorrer à única coisa que me pode confortar numa altura destas... resolvo ir cagar.

O que querem? Sempre fui bom a cagar! Sou rápido, metódico e perfeccionista! Tenho uma pontaria digital e um instinto animal! Duvido mesmo que haja alguém que cague melhor do que eu! Sou humano, tenho de cagar! Sou macho, cagar descontrai-me! Como não sou do sporting, quando cago, cheira a merda! Como não sou do porto, cago na sanita e não em cima dos outros.

E caguei.

E foi no decurso dessa nobre actividade, já mais descontraído, ao analisar detalhadamente todas as incidências do jogo, todos os factores intra e extra futebol, todas as variáveis envolvidas que, num momento de escatológica inspiração, percebi a razão do nosso insucesso em Vila do Conde. E vou revelá-la aqui, sem fazer a piada fácil de dizer que foi uma inspiração de merda: empatámos com o Rio Ave, porque não marcámos mais golos do que eles.

É esta a única razão e não vale a pena andarmos a fugir ao assunto! Se queremos ganhar jogos, temos de passar a marcar mais golos que o adversário! É difícil, eu sei. Dá trabalho, é verdade. Mas não há outra hipótese! Longe vão os tempos em que se ganhava jogos sem marcar golos. O futebol mudou muito, os métodos de trabalho são outros, e o que se exige a equipa moderna, nos dias que correm, não tem nada a ver com o que se exigia no tempo dos nossos avós.

Hoje um dia - e vou usar uma imagem que nunca foi usada antes, por isso recomendo que ponham o capacete e se segurem à cadeira - uma equipa de futebol é como se fosse um carro. E neste carro, os jogadores, os treinadores e os dirigentes são as peças. O problema é que há muitas peças novas e, embora já esteja tudo montado, as coisas não estão afinadas. Há muitos parafusos que é preciso apertar mais e muitas juntas que têm de ser lubrificadas. E isso demora tempo! Por isso é que o mecânico dizia, há uns dias, que o ideal era que o campeonato só começasse daqui a 1 mês e meio. Já sei o que vão dizer: então mas primeiro tinhas dito que o treinador era uma peça do carro e agora referes-te a ele como o mecânico? Que raio de coerência é essa? Não há aí um erro de continuidade? E a resposta é simples: o texto é meu, logo tomo as liberdades que quiser!

O que interessa é que o Benfica tem boas peças. Tem algumas grandes peças! Tem peças com talento, peças com velocidade e até algumas peças com o cabelo amarelo. O problema é que sem afinação e lubrificação, o motor não rende o que nós queremos, independentemente da qualidade e do empenho das peças (e sim, não me junto ao coro de Benfiquistas que acham que falta empenho às nossas peças). Por mais qualidade e empenho que tenham todas as peças do motor, se a ligação com a caixa de velocidades não estiver a funcionar bem, o carro não anda na mesma!

E foi isso que se passou em Vila do Conde, no domingo passado: faltou afinação. Claro que o Quique ao intervalo fez o que qualquer mecânico faz quando tem um problema complexo para resolver em pouco tempo: deu uns pontapés no motor, umas abanadelas no chassis, umas calhauzadas na caixa, umas orações à Virgem e 3 ou 4 benzidelas. E isso chegou para melhorar um bocadinho o rendimento naquele jogo específico. É normal. Há gajos que ganham campeonatos do mundo, só com este método.

Mas para o motor ficar afinadinho, a ronronar como um gatinho, preciso como um relógio e com a potência toda disponível, em todos os regimes, é preciso tempo. Porque as afinações fazem-se durante a semana e não no dia do jogo. E ainda há muito para afinar.

No próximo fim de semana vamos ter um jogo complicado, contra uns gajos que jogam sujo, usam aditivos ilegais e violam impunemente todas as normas da competição. Para compensar a falta de afinação, o que o Benfica precisa é de apoio e paciência.

Apoiemos e sejamos pacientes!

quinta-feira, agosto 21, 2008

chute forte #2 - eu garantia a medalha!

Tinha decidido que não ia escrever sobre os Jogos Olímpicos no post desta semana.

Afinal, isto chama-se Mágico SLB!

Por isso, ia falar do Benfica, da supertaça e do fim de semana de bola que passou. Até já tinha alinhavado umas piadas sobre o Romeno que meteu água por todos os lados, sobre a falta de lavagem da cremalheira do Jesualdo, sobre o penteado ridículo do Paulo Bento. e o elevado índice de bazófia dos lagartos este ano... enfim, o costume! Aliás, o post até já estava todo escrito e só não o tinha publicado ainda, porque o Pedro tinha acabado de colocar a sua extraordinária análise ao plantel 2008/2009 e eu achei que isso merecia algum tempo para o pessoal a digerir e comentar, antes de colocar uma coisa nova.

Mas eis que, inesperadamente, o Marco Fortes falou das suas perninhas e da forma como elas gostam de descansar de manhã, a Vânia confessou a sua dificuldade em provas que seguem o modelo usado nas olimpíadas e outra atleta, de cujo nome não me recordo, admitiu a sua incapacidade para superar o choque de actuar perante um estádio cheio.

Caiu o Carmo e a Trindade! A imprensa cheirou o sangue e iniciou um verdadeiro auto de fé, com o objectivo de imolar esta gente, que se atreveu a competir em condições de claríssima desvantagem e perder! Rapidamente se montou a fogueirinha na praça pública e se arrastaram para lá os criminosos! Para ajudar à festa, o almirante, ou lá o que o gajo é, chefe do comité olímpico português, resolveu garantir um bom churrasco e deitou um bocadinho de gasolina no aparato, não fosse aquela merda não estar a queimar bem, criticando o empenho dos atletas que estão em Pequim.

O argumento, por mais parvo que pareça (e parece, de facto, bastante parvo), é que estes atletas estão a receber bolsas do estado e, por isso, têm a obrigação de, no mínimo, fazerem os seus melhores resultados de sempre, ou muito perto disso. Tudo o que for abaixo disto, é um insulto para o povo português, que está a fazer um esforço brutal para pagar as referidas bolsas, uma vergonha para os atletas e um acto merecedor de julgamento por alta traição. Pelo menos, é isto que tem sido veiculado na imprensa, dita credível.

Aparentemente, há a ideia peregrina de que a atribuição de uma bolsa do estado a um atleta amador, consubstancia uma espécie de relação comercial entre ambos, em que o estado português é o cliente que compra um determinado serviço desportivo, e o atleta amador, que vai às olimpíadas graças ao dinheiro que recebe, fornece o referido serviço e tem, por isso, de garantir uma qualidade mínima.

Como alguns dos atletas não só não superaram os seus melhores resultados, como ficaram bastante longe de os igualar, o Povo Português ficou, com toda a legitimidade, à espera de os ver regressar descalços, de túnica branca e com uma corda ao pescoço, implorando por clemência e colocando as suas vidas à disposição, na boa tradição de Egas Moniz.

Qual foi o nosso espanto então quando, ao ouvirmos as já famosas declarações, percebemos que, não só os gajos não estavam muito preocupados com a suposta fraca qualidade dos resultados, como se estavam positivamente a cagar para o perdão do Povo Português. Nem túnicas, nem cordas, nem nada! Nem a merda dos sapatos os gajos tiraram!

Como se atrevem?!?

Nós somos clientes, caralho!

Foi do nosso bolso que saíram aquelas chorudas bolsas de €500 mensais, que lhes proporcionaram as vidas de luxo que levaram nestes últimos 4 anos! Foi graças ao nosso dinheiro, que eles puderam passar este período de preparação em centros de alto rendimento, exclusivamente dedicados ao treino e beneficiando de todas as condições, quer em termos de equipamento, quer em termos de treinadores.

Não é como se fosse o dever do estado, de qualquer estado, apoiar o desporto amador por isso trazer óbvios benefícios a médio/longo prazo, que ultrapassam largamente o mero orgulhozeco patrioteiro, quando se ouve o hino no estádio. Não é como se as bolsas pagas não fossem ridiculamente insuficientes e os atletas amadores que conseguiram a qualificação para as Olimpíadas, não o tivessem feito à custa de enormes sacrifícios pessoais, colocando o sonho olímpico à frente de tudo o resto, sacrificando família, carreira profissional, tempo de lazer e até, nalguns casos, pagando do próprio bolso despesas avultadas relacionadas com a prática da modalidade.

Não!

Se recebem 500 euros por mês, então têm de garantir a qualidade do serviço prestado! Eu sou cliente! Eu tenho direitos! Não me dão medalhas nem recordes, para que eu me possa sentir bem quando estou com a peida atascada no sofá a ver televisão pela 20ª hora consecutiva, então vou fazer queixa à DECO!

Cambada de preguiçosos de merda! Sim, porque se houvesse uns Jogos Olímpicos de Ver Jogos Olímpicos na TV e o estado me pagasse uma bolsa de €500, eu seria seguramente um atleta medalhado!

E ver desporto na televisão e depois dizer mal de quem lá está, é que custa! Porque estar a dormir às 5 da manhã, que é quando grande parte dos atletas amadores acorda para ir treinar antes do trabalho, exige esforço e concentração!

Porque para chegar a casa a tempo de jantar, ir ao cinema de vez em quando e ir beber uns copos com os amigos quando apetece, em vez de aproveitar todo o tempo disponível para treinar, é preciso treino e capacidade física!

Porque para gastar o dinheiro em PS3, televisão HD e bilhetes para a bola, em vez de o usar para comprar o equipamento necessário à prática da modalidade e pagar transportes e taxas de inscrição nos eventos desportivos, é preciso muito amor à causa das Olimpíadas de ver Olimpíadas na TV!

O azar é não haver Jogos Olímpicos de Ver Jogos Olímpicos na TV, porque se não eu mostrava a essa gente o que significa dignificar Portugal e prestar um bom serviço aos meus clientes, apesar de todos os sacrifícios que isso exige.

Com atletas do meu gabarito a manobrar o comando da televisão e a comer snacks, era só medalhas! De manhã, à noite, ou quando fosse, porque quando estou deitado no sofá, sou incansável!

P.S. : Para não dizerem que eu meto aqui merda que não tem nada a ver com o Benfica, o Nelson Évora é medalha de ouro nas olimpíadas a sério e é atleta do Benfica! Parabéns Nélson! Parabéns Vanessa! Parabéns Angel!

terça-feira, agosto 12, 2008

Chute forte #1 - Bela pré-época

Mas que bela pré-época, está a ser esta!

O Benfica tem um novo DD (director desportivo, mas agora diz-se DD e eu sou um gajo moderno) que é, nada mais nada menos, do que o nosso bem amado Rui Costa! Podia ser melhor? Eu acho que não! Um homem feito, chefe de família e pai de filhos, que chora como uma menina depois de marcar um golo ao Benfica, só pode merecer todo o meu respeito e a minha admiração! E, meus amigos, depois de cuidada análise ao seu trabalho até agora, posso garantir desde já que ele sabe o que faz!

Para começar, contratou um treinador com as características indispensáveis para o lugar: olhos azuis, gelados como as estepes do árctico, a denotar uma crueldade sem limites ; umas patilhas fartas e ridículas, indícios claros de uma força de carácter invulgar e um temperamento indomável ; um fortíssimo sotaque espanhol, a sugerir que não é português ; uma grande vontade vir treinar o Benfica, mesmo depois da tragédia recente, sintoma claro de cojones em inox maciço! E nós bem precisávamos de um gajo assim! Orações à Nossa Senhora de Fátima, falinhas mansas e bigodes à Chalana, não resultam, mesmo que seja o próprio Chalana a usar o bigode, como ficou bem provado no ano passado. O que o Benfica precisa é de ciência, método e crueldade! Só assim se podem transformar 25 egos gigantes e inchados, numa máquina impiedosa e eficaz de triturar adversários! Qualquer imbecil era capaz de perceber isso! Bom, qualquer imbecil não...

Depois, as contratações. Nesta delicado e importantíssima tarefa, o nosso sublime director musical, astuto como a raposa, resolveu não inventar! Optou por seguir a boa e velha estratégia do "estou-me a cagar para o que vocês dizem e vou contratar quem eu achar que devo contratar, embora vá confirmar as contratações com o treinador porque o gajo tem um olhar cruel e colhões de aço... e isso assusta-me muito". Não só demonstrou um notável e visceral instinto para a nobre arte da gestão, de fazer inveja à elite empresarial internacional, como ainda um comovente e louvável desejo de preservar intocada a integridade do seu perfumado esfíncter, porque, como diz o povo na sua interminável sabedoria, quem tem cu, tem medo! Resultado: o nosso glorioso Benfica, passou assim a contar nas suas fileiras com Pablo Aimar, José Antonio Reyes, o lagarto do pé-canhão e a penca grande, uma série de gajos menos importantes e um gorila com o cabelo amarelo. Parece pouco? Eu, que sou um gajo com pouca paciência para brincadeiras parvas, principalmente quando envolvem o meu Benfica, não teria tido grande dificuldade em acreditar que o grande aposta do Benfica para a próxima época seria uma série de gajos menos importantes, porque, sejamos sinceros, é isso que tem acontecido ultimamente... mas se há 3 meses atrás me viessem dizer que este ano ia ver Pablo "o novo Maradona" Aimar, e as suas 50 e tal internacionalizações pela selecção Argentina, de águia ao peito, teria provavelmente desatado à estalada ao engraçadinho, porque o Glorioso é um assunto sério! E, se no meio do festival de lambada, o infeliz ainda se lembrasse de me dizer que vinha também o José Antonio Reyes, o tal que o Sr. Arséne Wenger achou que valia 35 milhões de euros, quando tinha 20 anos, para salvar a pele, aí é que o caldo estaria completamente entornado! E, no entanto, se não sonhei, foi o Aimar que eu vi a assistir o Tacuara para o golo e o Reyes que rematou de primeira, com aquele pé esquerdo abençoado, contra a base do poste, depois do cruzamento do Makukula. Será possível? E aquele mastodonte que eu vi a carregar o piano não tinha porventura cabelo amarelo? Vieram-me à memória os saudosos tempos em que o Beto espalhava talento na zona central e massacrava adversários de todas as nacionalidades e religiões, sem descriminar. Quase chorei com a emoção!
Aimar, Reyes, um lagarto de pé-canhão e um carregador de piano de cabelo amarelo... é possível pedir mais a um DD numa pré-época, no que a contratações diz respeito?
Eu acho que não!

Por último - e este talvez seja o triunfo mais espectacular do nosso sacrosanto irmão em Benfica - o que dizer da colocação do Orelhas dentro da Redoma do Silêncio? É que, não sei se já repararam, mas este ano ainda não ouvimos o orelhas a dizer que o Benfica tem um plantel com qualidade suficiente para colonizar Marte, pois não? Aliás, se pensarmos bem, ainda não ouvimos o orelhas dizer nada que tenha a ver, directa ou indirectamente, com futebol, pois não?
A resposta é a Redoma do Silêncio, poderoso artefacto desenvolvido pelos Americanos no auge da guerra fria e capaz de silenciar o mais indomável dos cagões! O nosso Rui meteu-o lá dentro e só o deixa sair quando é para vir para a SIC, de chibata em riste, castigar mais um bocadinho as alvas nalgas do corrupto-mor, na sequência um qualquer chocante novo desenvolvimento do abjecto processo apito dourado. Para isso ele serve! Dêem-lhe uma vara de pau de marmeleiro e um corrupto de calças em baixo e ele castiga aquelas nalgas com a energia de um coelhinho da Duracell! E, se hoje o escroque do norte mal se consegue sentar, isso muito se deve ao braço firme e à inesgotável energia do nosso orelhas! Agora falar de futebol é que não! Redoma do Silêncio com ele... e antes de ter tempo de abrir a boquinha!

Treinador cruel, jogadores talentosos e o Orelhas a só falar de apito dourado. É possível pedir mais de uma pré-época?
Eu acho que é óbvio que não! Vamos mas é dar as mãos e comungar em Rui Costa, que o nosso Glorioso precisa do nosso apoio!